quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Os derrotados

Os resultados dos votos dos emigrantes deram mais três deputados à coligação “Portugal à Frente”, o que torna ainda maior o número de mandatos alcançados pelo PSD e pelo CDS. Ainda assim, os respectivos líderes estão inseguros e dão uma inexplicável aparência de derrotados, permitindo a António Costa assumir o papel de futuro primeiro-ministro.

O secretário-geral do PS, o grande derrotado, que pedia a maioria absoluta convicto na vitória, mesmo contra todas as sondagens, pavoneia-se agora como “salvador da Pátria” – quando na realidade é um mero salvador da própria pele –, passando a ideia de que a “esquerda” (a eterna ilusão da união...) venceu as eleições e ele é o comandante na batalha contra a “direita”.

Assim, Costa tenta o entendimento historicamente ‘contra-natura’ com os partidos da extrema-esquerda, menosprezando a guerra civil que estala dentro do PS. Já bloquistas e comunistas aproveitam o momento para dar um ar de respeitabilidade, apesar de, como sabemos, continuarem a pôr os interesses dos próprios partidos à frente dos do País. Estes são partidos a quem servem bem as derrotas, isto é, nunca chegarem ao governo e, consequentemente, ficarem sempre no lugar mais confortável da oposição contestatária, que promete mundos e fundos.

A propósito da acção do secretário-geral do PS, escreveu Vasco Pulido Valente que “o papel que Costa pretende equivale a tomar o comando de um grupo de guerrilhas, na esperança de o transformar num exército prussiano”.

É uma comparação bélica adequada, mas, se olharmos para os bastidores, vemos que Costa abriu guerra em todas as frentes – à direita, à esquerda e em casa – e caminha para a derrota final. Estamos num impasse que muito provavelmente atirará o País para novas eleições daqui a seis meses, mas os partidos parecem não se incomodar.

Perante este cenário caótico, que irá agravar a crise, os verdadeiros derrotados são os portugueses – todos nós.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

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