sexta-feira, 2 de outubro de 2015

‘Memoriae imperii’

Para a Maria José, minha Mulher.

Partir à descoberta está na alma portuguesa, mas o melhor de uma viagem é o reencontro com a nossa Pátria. Vim pela primeira vez à África do Sul e atravessei de carro este extenso país, observando e registando os contrastes do mosaico das suas gentes e das suas paisagens. Uma experiência marcante que não é mero turismo, antes uma lição de vida.

Os meus guias foram o Manuel e o Nuno Ferreira, irmãos que me deram a honra de me acolher na sua família, que é agora a nossa. Estes portugueses de cepa, que cresceram, viveram e estão radicados neste país, são sentinelas de um Portugal maior, um Império que viram morrer, mas que está vivo no posto avançado dos seus corações.

Portugal sente-se nos portugueses e nas marcas da nossa História e há dias tive um desses momentos especiais que ficam gravados para sempre na nossa memória.

Ao ver ao longe as águas agitadas do Atlântico Sul, senti-me como os nossos navegadores de outrora quando avistavam terra. Foi uma descoberta no sentido inverso, um encontro com o passado. Chegara à Baía de Santa Helena, local onde a armada de Vasco da Gama aportou no dia 7 de Novembro de 1497, e este foi o meu desembarque na “espaçosa parte”, como lhe chamou Camões na epopeia “Os Lusíadas”, de uma “terra que outro povo não pisou”. De facto, foram os portugueses os primeiros europeus a aqui chegar, feito do qual devemos orgulhar-nos. Foi o sentimento com que descobri vários monumentos que registam a passagem lusitana nestas paragens, incluindo um pequeno e acolhedor museu dedicado a Vasco da Gama em Shelly’s Point.

Mas memórias não devem ser exercícios contemplativos, são faróis que nos previnem para os perigos do futuro. Depois da Baía de Santa Helena, um punhado de homens, nossos antepassados, conseguiu vencer o Adamastor e tornar as Tormentas. A Boa Esperança deu-lhes então a coragem para chegar ao seu destino e mostrar ao mundo que não há impossíveis quando há vontade pátria. Hoje, perante a tempestade que se avizinha, sejamos capazes de descobrir o nosso caminho – o do futuro de Portugal.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

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