quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A história de Pablo Escobar


O serviço de ‘streaming’ Netflix chegou a Portugal, mas os espectadores estranharão certamente a reduzida oferta de conteúdos, nomeadamente a ausência de séries de sucesso como “House of Cards” e “True Detective”, ou ainda de vários filmes, o que se deve à venda dos direitos de transmissão. Das séries disponíveis, a que mais tem dado que falar é “Narcos”, que nos conta a história de Pablo Escobar, talvez o traficante de droga mais conhecido do mundo.

Criada por Chris Brancato, Carlo Bernard e Doug Miro, “Narcos” conta com José Padilha, que revelou um talento extraordinário no filme “Tropa de Elite” (2007) e na sua sequela, na realização dos dois primeiros episódios, algo que se nota positivamente. Mas não é apenas este o único brasileiro que salta à vista, já que o papel principal cabe a Wagner Moura, que interpretou o Capitão Nascimento nos dois filmes de Padilha referidos.

A série é uma viagem aos anos 80 do século passado e conta a história de como Pablo Escobar construiu um verdadeiro império com os lucros do tráfico de cocaína para os EUA, com o qual conseguiu uma fortuna incalculável. O colombiano tinha como mote “plata o plomo” (dinheiro ou chumbo), isto é, corrupção ou intimidação. A sua influência estendia-se a políticos, juízes, militares, polícias, jornalistas, entre tantos outros, e a sua popularidade foi tal que, depois de contribuir com muito dinheiro para obras sociais de apoio aos mais desfavorecidos, chegou a ser conhecido como o “Robin dos Bosques dos pobres”.

A tentação da política levá-lo-ia a declarar guerra ao Estado colombiano e o terrorismo tornou-se prática comum. Mas a vida de um traficante está sempre marcada pelas infidelidades, sejam conjugais ou dos membros do grupo. Para piorar a situação, o ambiente político que se vivia na Colômbia naquele tempo era altamente instável.

Os EUA exerciam forte influência para tentar controlar os movimentos comunistas no país, mas o agravar do problema da droga e o poder de Escobar fizeram com que dessem mais atenção ao tráfico. Assim, é a vida do agente da DEA, o órgão de polícia federal norte-americana de combate às drogas, Steve Murphy (Boyd Holbrook) que serve para introduzir todo o enredo. É ele o narrador que explica demasiado o que se passa, chegando ao ponto de recordar aos espectadores que naquele tempo não havia as tecnologias disponíveis hoje em dia ou, pior, dizendo para se prestar atenção a determinado aspecto.

Por fim, a recriação feita é aceitável, mas a utilização de imagens de época – um pormenor que se torna interessante – parece mais querer justificar o realismo que a série não consegue. Ainda assim, os dez episódios da primeira temporada vêem-se com agrado, mas sem deslumbre. Aguardemos pela segunda temporada, mas sem grandes expectativas.

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