quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O fim da ilusão soviética

Como é hábito, aconselho vivamente mais uma edição da revista de divulgação histórica dirigida por Philippe Conrad, que se vende no nosso país, intitulada “La Nouvelle Revue d’Histoire”. O tema central do número 80, referente aos meses de Setembro e Outubro, é o fim da ilusão soviética. Apesar do ruir da URSS entre 1985 e 1991, há ainda quem continue iludido, em Portugal e noutros países. O estudo da História é essencial para aprendermos com os erros do passado, mas há quem insista em não aprender...

Conhecemos bem aqueles que por cá sonharam com os “amanhãs que cantam” e que os quiseram impor pela força e pela violência, tão seguros das suas certezas “científicas”, deslumbrados pela imagem de poder da União Soviética. Mas a potência vermelha caiu e, como diz Philippe Conrad no editorial desta edição, foi “um fim de império inesperado”. Esta é uma lição da História que deve servir para avaliarmos no nosso futuro. Diz o director de “La Nouvelle Revue d’Histoire” que devemos hoje reflectir sobre o período que desfez uma das duas “super-potências”, porque atrás da imagem de um Ocidente seguro de si próprio e dominador estão várias fragilidades. As de “um mundo entregue a uma especulação financeira geradora de crises que se repetem, um modelo de vigilância generalizada submetido a uma nomenclatura político-mediática que prega um pensamento único e obrigatório, um mundo que descobre que a ‘globalização feliz’ significa o desaparecimento das classes médias, o crescimento das desigualdades e a perda das identidades colectivas...” Por fim, Conrad recorda que, perante a situação actual, o fim do império soviético não foi o “fim da História” previsto por Francis Fukuyama. De facto, assistimos pelo contrário a um regresso da História. E em força.

Para além do excelente ‘dossier’ sobre o fim da URSS, destacam-se os artigos “Cícero ou o fim da república romana”, “Vichy e a reforma da escola”, bem como a análise do futuro do cristianismo e do islamismo sob uma perspectiva demográfica, um assunto da maior importância num tempo em que se assiste ao crescimento de grandes comunidades muçulmanas em vários países europeus.

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