Já se sabia que ia dar asneira... Diz o Eurico de Barros que «“O Pátio das Cantigas” versão 2015 é um calhau de comédia, pesado de graçolas chineleiras, de bocas “tás-a-ver-ó-meu?”, de humor de tasca, de situações apalhaçadas, de palha de riso, de glosas menores do filme original, sem uma ideia cómica, um rasgo visual, um “gag” que fique de recordação, uma piada que perdure nos ouvidos e seja citável para a posteridade.» O pior é que este filme é o primeiro de uma trilogia dos clássicos da comédia portuguesa, como “O Leão da Estrela” e “A Canção de Lisboa”. Uma desgraça nunca vem só... É melhor não ir em cantigas.
Os responsáveis por este remake não devem ter visto com atenção a famosa cena do candeeiro, porque há uma passagem que é exactamente para eles: «Julgam que são alguém sem se lembrarem que há outros que estão muito acima (onde é que eu já li isto!?)»
quinta-feira, 30 de julho de 2015
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Devemos estar loucos...
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| Imigrantes chegam de autocarro a Casal S. Nicola (Roma) protegidos pela polícia que dispersou os locais com violência. |
No entanto, para as cabeças bem-pensantes, da esquerda à direita, o Velho Continente tem a obrigação de acolher todos os “migrantes”, como agora se diz na novilíngua do politicamente correcto. Quem discordar é automaticamente classificado como “racista” e “xenófobo”.
Mas os números são implacáveis e basta observar a dimensão da massa humana que atravessa o Mediterrâneo diariamente para nos apercebermos de que uma política de “portas abertas” é catastrófica.
Nada como um caso concreto para exemplificar o absurdo a que chegámos. Na semana passada, em Casale San Nicola, na periferia de Roma, a população local opôs-se à colocação na povoação de um grupo de refugiados africanos. O protesto contou com o apoio de militantes da Casa Pound e terminou com confrontos com a polícia de choque, chamada para garantir a passagem dos refugiados. Uma vez instalados, com direito a cama, alimentação, assistência médica e transporte, os refugiados protestaram e a Imprensa italiana publicou as queixas destes: querem acesso à Internet, cigarros, carregadores de telemóveis e mais computadores! A crise e a austeridade são só para os europeus?
Perante este caso, que não é isolado antes paradigmático, recordo-me de uma passagem do discurso premonitório do visionário político britânico Enoch Powell, proferido em 1968: “Devemos estar loucos, literalmente loucos, enquanto nação ao permitir o influxo anual de cerca de 50 mil dependentes, que são em grande parte o material do crescimento futuro da população de origem imigrante. É como observar uma nação ocupada na preparação da sua própria pira funerária”.
Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».
quarta-feira, 22 de julho de 2015
O maravilhoso mundo de Blake e Mortimer
No editorial, Thierry Taittinger considera Blake e Mortimer como a primeira banda desenhada para adultos e, de facto, qual não foi a criança que se sentiu grande ao viver esta série “realista e educativa”? Para não falar nos adultos que continuam a acompanhar a dupla criada por Edgar P. Jacobs. Especialmente para estes, o número especial da “Beaux Arts” é obrigatório. À venda em Portugal pelo preço de 9,60 euros, a revista tem 138 páginas a cores, bastante ilustradas e com uma bela composição gráfica. Infelizmente, este objecto de referência e de colecção não tem uma merecida capa dura. Um pormenor importante, que no entanto não nos impede o prazer da descoberta.
É uma aventura redobrada reencontrar os álbuns de Blake e Mortimer e as respectivas inspirações. Uma viagem do mundo perdido dos dinossauros ao Inferno branco da Antárctida, da fabulosa pirâmide de Quéops aos subterrâneos de Paris, passando pelo enigma de Judas ou a hipnose e a manipulação da mente. Encontramos até um artigo sobre dois mistérios do álbum mais recente, “O Bastão de Licurgo”, publicado no ano passado e cuja acção é anterior à excelente trilogia “O Segredo do Espadão”.
Destaque ainda para a nota biográfica sobre Edgar P. Jacobs, barítono que esperava seguir carreira como cantor lírico mas que se tornou um nome incontornável da 9.ª Arte, com referência aos seus sucessores, e o artigo sobre a sua arte. Nota especial para as dezasseis páginas que revelam as oito etapas para a criação da série. Uma edição a não perder, ‘by Jove’!
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Guerra: "a mãe de todas as coisas"
Antes de uma série de artigos que analisam a evolução da guerra ao longo da História, podemos ler um excelente entrevista com o General Vincent Desportes, que afirma que “a História das guerras é a História do mundo” e que, contrariando os que acreditam no “fim da História” decretado pela ilusão do fim da Guerra Fria, considera que a guerra está de volta e assume formas inesperadas.
De entre os vários artigos publicados nesta edição, destacam-se, “A pré-história da guerra”, assinado pelo director da revista, “A guerra nas antigas sociedades indo-europeias”, por Henri Levavasseur, “O modelo ocidental da guerra”, por Mathilde Tingaud, “A cavalaria ou o modelo medieval da guerra, pelo medievalista Bernard Fontaine, ou “A escola francesa da contra-insurreição”, por Mériadec Raffray.
Explorando outros aspectos da guerra, há a referir os artigos “Guerra industrial, guerra total”, de Philippe Conrad, e “A permanência da guerra económica”, do geopolitólogo Pascal Gauchon. Numa interessante perspectiva cultural, refiram-se também os artigos “A Grande Guerra dos escritores”, por Philippe Colombani, e “Como o cinema vê a guerra”, por Philippe d’Hugues.
A guerra, segundo Heraclito, é “a mãe de todas as coisas” e, como escreve Philippe Conrad no editorial deste número, “está omnipresente em todas as épocas no conjunto das sociedades humanas e comanda as grandes rupturas que, da conquista romana ao choque das cavalarias medievais ou às batalhas do Grande Século, determinam os destinos do mundo”. Neste tempo de “anestesia” da Europa, nada melhor que recordar as valiosas lições da História.
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