quinta-feira, 7 de maio de 2015

O castelo de cartas desabou


A terceira temporada da série “House of Cards” está a ser transmitida em Portugal no canal por cabo TV Séries. Frank Underwood voltou e é Presidente dos Estados Unidos da América. Infelizmente, a tão aguardada continuação desta série televisiva que rapidamente se tornou um êxito é uma desilusão.

O implacável Frank Underwood (Kevin Spacey) continua a sua senda nas altas esferas do poder mundial e conseguiu chegar a Presidente dos Estados Unidos da América sem um único voto. Mas, talvez por se ter esgotado o jogo da intriga política, que tornava esta série tão apetecível, a terceira temporada perde-se em aventuras totalmente irreais. Para além de uma defesa implícita de um grupo de activistas plasmado das “Pussy Riot”, os russos são retratados de uma forma que não lembra a um filme de segunda em plena Guerra Fria. O jogo político internacional, sempre aliciante, é desperdiçado em episódios sem sentido, seja a descabida relação com o Presidente russo, uma caricatura de Putin, seja com um conflito no Médio Oriente simplesmente inexplicável.

No plano técnico, há uma falha notória na continuidade dos episódios e a série parece um velho vinil onde a agulha salta e se tem que recorrer à memória para completar os espaços vazios. Por outro lado, as tricas pessoais têm mais relevo do que política (a tentação da ‘soap opera’?), numa tentativa falhada de dar mais “humanidade” às personagens – as mesmas que fizeram sucesso exactamente por serem frias e insensíveis. Simplesmente incompreensível.

Quando terminou a segunda temporada de “House of Cards”, escrevi que era uma série de ver e chorar por mais e suspirei “venha a terceira temporada, que esta deixa água na boca”. As minhas expectativas não podiam ter sido menos correspondidas. Agora, apesar do que o final desta temporada indica, espero que a série se fique por aqui. Para não piorar ainda mais...

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