Em 2011, assinalando o centenário do nascimento de Eudoro de Sousa, o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira organizou um Colóquio Internacional dedicado ao estudo da sua obra e pensamento. Agora, a editora Zéfiro publica num volume as comunicações aí apresentadas, tornando-as acessíveis a um público mais vasto.
Tendo realizado os estudos superiores na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, especializou-se em Filologia Clássica e História Antiga na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Dedicando-se, depois, à docência e à investigação académica em Portugal, em França e na Alemanha. Destaque-se a sua tradução directa do grego da “Poética” de Aristóteles, com introdução e índices, publicada em Portugal em 1951 e reeditada no Brasil em 1966.
Em 1953 chega ao Brasil, onde integra o chamado “Grupo de São Paulo”, que reúne vários intelectuais em torno da revista “Diálogo” e de Instituto Brasileiro de Filosofia. Torna-se professor em várias universidades brasileiras e é um dos fundadores da Universidade de Brasília.
A apresentação de “A Obra e o Pensamento de Eudoro de Sousa” diz-nos que foi “companheiro e íntimo convivente intelectual de Álvaro Ribeiro, António José Brandão, Delfim Santos, José Marinho e Sant’Anna Dionísio, em Portugal, e de Agostinho da Silva, Vicente Ferreira da Silva, António Telmo e João Ferreira, no Brasil”, e que “acompanhou aqui os primeiros na oposição crítica ao positivismo, na atenção reflexiva às relações entre filosofia e filologia e na valorização da obra e da figura de Leonardo Coimbra, vindo a singularizar-se pela meditação que, desde sempre, dedicou à mitologia e à filosofia da religião”. De facto, para além de filosofo e filólogo, Eudoro de Sousa foi helenista e mitósofo.
No início do século XXI, a Imprensa Nacional Casa da Moeda publicou a totalidade da obra de Eudoro de Sousa, considerando-o “um dos nossos mais profundos e originais filósofos”. O livro agora publicado mostra que o interesse na sua obra continua e pode servir para despertar o interesse neste pensador transatlântico, fiel às suas raízes clássicas.










