terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Encanto
Adolfo Bioy Casares e Silvina Ocampo
no Parque Lezama de Buenos Aires (1939).
«Algum pedante declarara que o homem é sempre um menino e que na desolação encontra em toda a mulher a mãe. Porque não admitir a modesta explicação de que unicamente o encanto de uma mulher se podia opor ao meu desgosto?»
Adolfo Bioy Casares
in "O Jardim dos Sonhos".
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
A vulgarização da sociedade
“As Cinquenta Sombras de Grey” é a história em tom ligeiro de uma relação sadomasoquista entre um milionário e uma universitária que se tornou um ‘best-seller’ mundial. A passagem do livro ao cinema impulsionou mais ainda um fenómeno que interessa analisar.
Para o crítico de cinema Eurico de Barros, os autores “conseguiram a proeza de fazer um filme tão erótico como o presidente Robert Mugabe a tomar duche, tão excitante como ver uma parede pintada de fresco a secar, tão ‘perigoso’ como um chihuahua recém-nascido e tão ‘transgressor’ como uma velhota a atravessar uma rua um centímetro ao lado da passadeira de peões”. Razões de sobra para o evitar, mas nem a má qualidade do filme parece impedir que seja um êxito semelhante aos livros.
Paralelamente ao sucesso de bilheteira, o filme motivou uma corrida às ‘sex shops’, onde cada vez mais pessoas procuram adereços sexuais “atrevidos”.
Podemos ironizar, mas o que está em causa é mais preocupante. É uma das consequências da vulgarização da sociedade, que implica uma involução.
Como escreveu António Marques Bessa, o perigo da homogeneidade “implica uma perda nas capacidades de resposta da espécie humana no seu conjunto, apresenta também fenómenos secundários de domesticação corporal, como o aumento de gordura, diminuição de combatividade, obsessões sexuais, diminuição da selectividade sexual e outros elementos negativos para a conservação da nossa espécie. A uniformização e a vulgarização são também aspectos de uma regressão civilizacional, já que o caminho ascendente se caracteriza por uma crescente diferenciação e um maior grau de organização”.
Para além de um problema civilizacional, há uma questão íntima. As relações humanas não se resumem ao aspecto físico, muito menos a práticas ditadas por uma moda. Recordo-me do que escreveu o argentino Adolfo Bioy Casares: “a intimidade não consiste unicamente em despirmo-nos e abraçarmo-nos, como pessoas ingénuas o imaginam, mas em comentar o mundo”.
Para o crítico de cinema Eurico de Barros, os autores “conseguiram a proeza de fazer um filme tão erótico como o presidente Robert Mugabe a tomar duche, tão excitante como ver uma parede pintada de fresco a secar, tão ‘perigoso’ como um chihuahua recém-nascido e tão ‘transgressor’ como uma velhota a atravessar uma rua um centímetro ao lado da passadeira de peões”. Razões de sobra para o evitar, mas nem a má qualidade do filme parece impedir que seja um êxito semelhante aos livros.
Paralelamente ao sucesso de bilheteira, o filme motivou uma corrida às ‘sex shops’, onde cada vez mais pessoas procuram adereços sexuais “atrevidos”.
Podemos ironizar, mas o que está em causa é mais preocupante. É uma das consequências da vulgarização da sociedade, que implica uma involução.
Como escreveu António Marques Bessa, o perigo da homogeneidade “implica uma perda nas capacidades de resposta da espécie humana no seu conjunto, apresenta também fenómenos secundários de domesticação corporal, como o aumento de gordura, diminuição de combatividade, obsessões sexuais, diminuição da selectividade sexual e outros elementos negativos para a conservação da nossa espécie. A uniformização e a vulgarização são também aspectos de uma regressão civilizacional, já que o caminho ascendente se caracteriza por uma crescente diferenciação e um maior grau de organização”.
Para além de um problema civilizacional, há uma questão íntima. As relações humanas não se resumem ao aspecto físico, muito menos a práticas ditadas por uma moda. Recordo-me do que escreveu o argentino Adolfo Bioy Casares: “a intimidade não consiste unicamente em despirmo-nos e abraçarmo-nos, como pessoas ingénuas o imaginam, mas em comentar o mundo”.
Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
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