quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

De passagem por Madrid

Uns dias na capital espanhola, onde revi amigos e locais de que gosto bastante, levaram-me a uma comparação inevitável com a nossa realidade.

O mar de gente que inunda as ruas do centro de Madrid para o período das festas contrasta com a concentração nos centros comerciais a que assistimos em Portugal. Mas parece que por cá há vontade de mudar. Neste Natal fui a um mercado de rua numa avenida de Lisboa, que se realizou pela primeira vez e que foi um sucesso. Uma experiência que pode trazer de volta a vida às ruas portuguesas.

Paragem obrigatória para um bibliófilo são as livrarias e foi com muito agrado que notei que na maior parte delas o nosso Fernando Pessoa está em destaque, nomeadamente o seu “Livro do Desassossego”.

Desta vez consegui ir a duas livrarias que não conhecia, uma no centro e outra num bairro residencial, um pouco mais afastado. Ambas tinham em comum uma larga oferta internacional e o que foi para mim uma agradável surpresa. Nos livros estrangeiros vendidos, a maior secção era naturalmente para os anglo-saxónicos, seguiam-se os alemães, os franceses e os italianos, para encontrarmos uma parte dedicada aos livros em português. Interroguei-me se haveria mercado para obras escritas na Língua de Camões em terras de Espanha, mas a resposta estava naquelas prateleiras...

Tenho um amigo que diz que se pode avaliar o estado da cultura de um país pelas suas livrarias. É uma generalização, claro, mas não deixa de ser certeira. No entanto, a presença de Portugal em livrarias espanholas, ainda que especializadas, recorda-nos que não somos tão insignificantes para os nossos vizinhos como alguns querem fazer parecer e que a cultura representa uma frente muito importante na nossa afirmação no estrangeiro.

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