Talvez por isso tenha escapado a muitos portugueses um pormenor no ‘slogan’ “Je suis Charlie”, que se generalizou após o atentado terrorista à Redacção do jornal satírico “Charlie Hebdo”. Ora, em francês, “je suis” significa não apenas “eu sou”, como também “eu sigo”.
Perante a rápida disseminação, em especial na Europa Ocidental, desta expressão que tem sido usada tanto por populares como por políticos e jornalistas, não é difícil ler, afinal, “Eu sigo Charlie”.
Para que não haja dúvidas, os cobardes ataques terroristas ocorridos em França, que provocaram várias vítimas mortais, merecem total reprovação. No entanto, tal não significa que nos devamos precipitar num seguidismo automático.
A natural condenação dos actos bárbaros cometidos, deve levar-nos a uma reflexão ponderada e informada sobre o terrorismo que agora ganha força na Europa, as suas causas e consequências, bem como sobre o que fazer em defesa da nossa civilização.
Por muito bem que soe nas redes sociais, agora não é o tempo de dar a outra face.
Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».



