quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Piropos


"Quentes e boas", diz o homem das castanhas. Com a nova "lei do piropo", ainda se arrisca a ir preso...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Do outro mundo...


A propósito da adaptação de “The Man in the High Castle” para série televisiva, o Miguel Freitas da Costa regressou a “um escritor do outro mundo”, considerando - com toda a razão - que Philip K. Dick é há muito o que se chama um escritor “de culto”. Do apontamento biográfico às adaptações cinematográficas de obras suas, passando pela história alternativa, este é um artigo obrigatório para os fãs de PKD, bem como para os que só agora o descobrem.

domingo, 27 de dezembro de 2015

A voz da alternativa cultural

É de saudar a continuação de uma revista portuguesa que se tem afirmado como a transmissora de uma cultura alternativa que contrasta com a massificação imposta pelo pensamento único. A “Finis Mundi” é, assim, uma voz dissidente contra o politicamente correcto que importa conhecer e urge apoiar.

Depois de ter sido dirigida por Flávio Gonçalves, a revista conhece agora uma renovação com um novo director que, não alterando a matriz desta publicação, lhe deu uma marca diferente. O n.º 9 foi lançado no passado dia 16 de Dezembro na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, após o colóquio “Afonso de Albuquerque, 500 anos depois: Memória e Materialidade”.

Em entrevista a «O Diabo», quando assumiu a direcção da revista, João Franco afirmou que “mantendo os seus colaboradores valorosos, a ‘Finis Mundi’ irá aproximar-se mais da Ciência Política, da Geopolítica e da Estratégia, deixando um pouco de lado os textos mais esotéricos e herméticos. Pretendemos abordar também as grandes questões do nosso tempo, sejam elas a protecção do ambiente, as energias alternativas, as migrações, a inteligência artificial, ou mesmo o sistema capitalista actual”.

Neste número, referente ao mês de Dezembro de 2015, podemos ler artigos de Alain de Benoist, Alberto Buela, Brandão Ferreira, Ernesto Milá, Eduardo Amarante, Mário Casa Nova Martins, entre outros, para além de um texto de Eça de Queirós.

A “Finis Mundi” pode ser adquirida através da Internet, em wook.pt, ou encomendada em qualquer livraria Bertrand.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A agressão

“É sobretudo o ódio de partido
que ao extremo horror as coisas leva”
Goethe

A Universidade de Salzburgo, na Áustria, decidiu retirar postumamente o título de doutor ‘honoris causa’ a Konrad Lorenz, atribuído em 1983, devido ao seu “passado nazi”. Numa clara demonstração de “antifascismo” institucional, a Universidade assumiu uma vergonhosa postura de estreiteza e pequenez intelectual. Para estes zelotas do politicamente correcto, as opções políticas – ainda que historicamente localizadas – sobrepõem-se ao contributo científico. Escusado será dizer que, tivesse Lorenz sido comunista, por exemplo, a questão não se punha.

Konrad Lorenz (1903-1989) é considerado como um dos pais da Etologia, a ciência que estuda o comportamento animal, e os seus trabalhos de investigação foram reconhecidos internacionalmente. Em 1973 foi galardoado com o Nobel da Fisiologia ou Medicina pelas descobertas relativas a padrões de comportamento individuais e sociais, em conjunto com o alemão Karl von Frisch e o holandês Nikolaas Tinbergen.

O “passado maldito” de Lorenz há muito que havia sido ultrapassado, mas esta agressão actual não lhe seria estranha. Foi este etólogo austríaco que tão bem demonstrou que a agressividade, longe de ser uma pulsão patológica, tinha por finalidade a sobrevivência. É este ataque póstumo e descabido uma tentativa de sobrevivência dos defensores da massificação uniformizadora?

O caso não será certamente único, porque esta retirada de título foi consequência de um reexame de todas as distinções atribuídas no passado pela Universidade de Salzburgo. Quem serão os novos proscritos?

É bom recordar o que escreveu Lorenz sobre as tentativas de apagar o passado: “É insensato supor que basta destruir uma floresta para automaticamente fazer nascer uma nova. Ora, assiste-se nos nossos dias, ao enfraquecimento contínuo dos factores que asseguram a transmissão da tradição e ao fortalecimento dos factores de ruptura. Destruindo as instituições e os antigos valores arriscamo-nos a desembocar numa verdadeira regressão.”

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Solstício de Inverno


Na noite mais longa do ano, há uma certeza que reconforta a família: o Sol regressará.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Frase do dia

«Enquanto Sócrates anda às voltas com a Justiça, os pós-socráticos ficaram livres do passado e, o que é dramático, de mãos soltas para voltar a aplicar as receitas do passado.»

Helena Matos
in «Observador»

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Música pátria

Foi revitalizante regressar à Casa do Cipreste, em Sintra, para um serão inesquecível. Projectada por Raul Lino no início do século passado, continua na família e a tradição de lugar de encontro e cultura mantém-se.

Honrado com um convite para uma pequena celebração a propósito do vigésimo aniversário da classificação de Sintra como património mundial, tive o prazer de assistir a um concerto onde dois pianistas de formidável talento envolveram os presentes com música da autoria de compositores portugueses.

Edward Luiz Ayres d’Abreu, Presidente da Direcção do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, e Philippe Marques tocaram peças de Alfredo Keil, Vianna da Motta, António Fragoso, Óscar da Silva, Ruy Coelho, entre outros. Nomes que, mais ou menos esquecidos ou ignorados, têm vindo a ser recuperados por uma geração de jovens músicos que sabem para onde vão, não esquecendo de onde vêm. São os verdadeiros guardiães da Tradição, que passam o seu testemunho revivendo-a e renovando-a – faróis que nos recordam que se deve visitar o passado sem passadismos para nos encontrarmos num caminho que é comum.

O local onde tocaram não podia ser mais apropriado, já que Raul Lino se relacionava com as personalidades do meio musical português seu contemporâneo e, enquanto arquitecto, dava uma especial importância à acústica.

A sala encheu-se de pessoas que encheram a alma com melodias nascidas da criatividade nacional. A seguir, o convívio foi salutar e a conversa enriquecedora. Falou-se de Sintra, claro, e do desafio que é a sua preservação, do génio artístico português, dos antigos mestres que continuam a ser um exemplo e uma inspiração e até de assuntos mais ligeiros. Falámos também de música, como não podia deixar de ser, e da sua importância pátria.

Mais tarde, enquanto escrevia mentalmente estas linhas, lembrei-me de uma máxima nietzscheana que há muito compreendi: “Sem música, a vida seria um erro.”

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Encurralado


“Compras mobília. Dizes a ti próprio, este é o último sofá de que vou precisar para o resto da minha vida. Compras o sofá e depois, durante um par de anos, sentes-te satisfeito porque, aconteça o que acontecer de errado, pelo menos, conseguiste resolver a problemática do sofá. Depois é o serviço de pratos certo. Depois a cama perfeita. Os cortinados. A carpete. Depois ficas encurralado dentro do teu lindo ninho e as coisas que dantes possuías, agora possuem-te a ti.”

Chuck Palahniuk
in “Clube de Combate”

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Livros nos filmes (V)


Jamie Bell, no papel de Jimmy no remake de "King Kong" (2005), a ler "Heart of Darkness" de Joseph Conrad.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Frase do dia

«O dr. António Costa, que usa o título de primeiro-ministro, tinha a obrigação de informar o público sobre o que anda ou não anda a negociar (não é ele um homem de negócios?) com o PCP.»

Vasco Pulido Valente
in «Público»

sábado, 5 de dezembro de 2015

A nova “Éléments” de sempre


Lançada há mais de quarenta anos como a voz do Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne (GRECE), liderado por Alain de Benoist, a “Éléments” tem uma longevidade impressionante para uma revista de ideias. Agora, esta publicação de referência ganhou uma nova vida, passando a ter uma periodicidade mensal, mais páginas, um outro grafismo e uma edição totalmente a cores.

Para os que estavam habituados a ler o editorial de Robert de Herte na terceira página desta revista, não será grande surpresa encontrar agora o texto assinado por Alain de Benoist, que nesta renovação deixa o seu anterior pseudónimo a partir deste número. De seguida, um texto apresenta a nova fórmula e conta a história da revista, apresentando-a aos novos leitores.

O destaque nesta edição vai para a grande entrevista com Michel Onfray, um filósofo a quem a esquerda francesa acusa agora de “fazer o jogo” da Frente Nacional, devido às suas posições que contrariam o politicamente correcto. De elevada qualidade e interesse é o ‘dossier’ dedicado à direita face ao veneno liberal.

Nesta edição bastante variada, devemos ainda referir os artigos sobre a crise dos “migrantes”, a “máquina onusiana” que é a Conferência do Clima, o controlo social através do mundo digital, a fenomenologia da indústria da sideração que são as super-produções de Hollywood, o diferencialismo contra ateoria de género, para além das entrevistas com Alain de Benoist sobre a sua imensa colecção de livros e com o entrevistador Nicolas Gauthier. Por fim, uma nota para o anti-manual de filosofia de Jean-François Gautier, que questiona: podemos julgar objectivamente o valor de uma cultura?

Esta é uma nova “Éléments”, mas com a qualidade e criatividade de sempre, capaz de renascer quando o combate das ideias assim o exige. Porque a vanguarda do pensamento não se consegue sendo estático.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Ponto de situação

Cavaco Silva nomeou António Costa como primeiro-ministro e, pese embora a ténue tentativa de prova de vida nos “recados” enviados, assinou a sua morte política anunciada. Não surpreendeu verdadeiramente, pois aquele que se considerava um Presidente moderador foi, durante a sua passagem pelo palácio de Belém, moderadamente Presidente.

O novo Governo socialista apressou-se a tomar os ministérios na noite em que foi empossado. Vale a pena recordar a analogia do camelo – animal que aguenta a travessia do deserto sem beber água, mas que bebe toda a que consegue mal chega a um oásis – para o descrever. Aliás, o afã legislativo em alterar o que o anterior Governo aprovou é um óptimo exemplo do que devemos esperar.

No entanto, as muletas do PS, com alturas diferentes, anunciam que este Governo vai ser cambaleante. No Bloco de Esquerda, o deslumbre com a proximidade do poder ainda dura e mostra como o seu discurso anti-sistema se desfaz num ápice. Já o irreformável Partido Comunista, expectante, não fará concessões e tem as suas tropas de rua bem oleadas, como o demonstrou a manifestação da CGTP. O apêndice do PC tenta mostrar que tem vida própria, mas desengane-se quem acreditar que há o risco de uma apendicite partidária. Por fim, o novel PAN, seguramente para reduzir a pegada ecológica, aproveita a boleia de quem o leve mais longe.

À direita, o discurso do governo ilegítimo de Costa é uma munição que já foi disparada e não provocou estragos. Passos e Portas prometeram no Parlamento não dar tréguas ao novo Executivo, mas o mais difícil está para vir. Os que falam na “conquista do centro” esquecem-se que este não se ganha, antes se compra com lugares e prebendas.

Perante esta situação, há quem tente reconfortar os críticos dizendo que “é a democracia”, como quem atira um evasivo “vamos andando”. É esta submissão à “normalidade” que é assustadoramente desesperante.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

As artes decorativas na 'obra de arte total' de Raul Lino


Raul Lino é uma referência maior na Arquitectura nacional, mas o seu contributo não se esgota no perfil de arquitecto da Casa Portuguesa. É por isso de saudar a publicação de “Raul Lino – Natureza e Tradição nas Artes Decorativas”, pela editora Scribe, um trabalho excepcional no qual a sua sobrinha-bisneta revela a atenção de Raul Lino ao pormenor, expressa nas artes decorativas.

A atenção ao pormenor é uma das características de Raul Lino (1879-1974) – um artista total – que, como já escrevi num editorial em sua homenagem no semanário «O Diabo», era capaz de projectar uma casa desde a sua implantação harmoniosa no espaço até ao desenho de um puxador de portas, ou das loiças a utilizar pela família que ali vivesse.

Esta obra de Maria do Carmo Lino é a adaptação da sua dissertação de mestrado em História de Arte defendida na Universidade Lusíada de Lisboa, que torna acessível ao público em geral a obra de Raul Lino no domínio das artes decorativas. É uma síntese formidável de mais de 70 anos de produção artística sem interrupção e contempla propostas para decoração de interiores, respectivo mobiliário, frescos decorativos, azulejaria, faianças e porcelanas, serralharia artística, ferragens, cenografia e figurinos, ilustrações, ex-libris, bilhetes-postais, programas de espectáculos, panos de mesa e vestidos bordados. Como afirma a autora, põe “em prática o conceito de obra de arte total”.

O livro, com uma bela composição gráfica e bem ilustrado, apresenta uma síntese biográfica de Raul Lino, o contexto das artes decorativas na sua formação e a proposta do arquitecto da obra de arte total, em capítulos diferentes, que nos enquadram para o capítulo onde os trabalhos nas várias artes decorativas são elencados e explicados.

Por fim, a obra oferece-nos talvez o texto mais interessante – uma verdadeira descoberta! A autora analisa a missão extraordinária de que Raul Lino foi incumbido em 1940: mobilar e guarnecer a Legação de Portugal em Berlim, com “carta branca e total autonomia”. Esta experiência, que foi um exemplo de obra de arte total, perdeu-se infelizmente em 1945, pouco depois de estar concluída, quando os jardins do edifício foram atingidos por uma bomba incendiária que destruiu praticamente tudo. O que sobrou foi pilhado pelas tropas russas.

Felizmente, esse trabalho foi agora resgatado ao esquecimento, assim como uma faceta menos conhecida de Raul Lino. Um livro obrigatório.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Livro para hoje


Com um sorriso que guardo para meu...


Tenho diante de mim as duas páginas grandes do livro pesado; ergo da sua inclinação na carteira velha, com os olhos cansados, uma alma mais cansada do que os olhos. Para além do nada que isto representa, o armazém, até à Rua dos Douradores, enfileira as prateleiras regulares, os empregados regulares, a ordem humana e o sossego do vulgar. Na vidraça há o ruído do diverso, e o ruído diverso é vulgar, como o sossego que está ao pé das prateleiras.

Baixo olhos novos sobre as duas páginas brancas, em que os meus números cuidadosos puseram resultados da sociedade. E, com um sorriso que guardo para meu, lembro que a vida, que tem estas páginas com nomes de fazendas e dinheiro, com os seus brancos, e os seus traços à régua e de letra, inclui também os grandes navegadores, os grandes santos, os poetas de todas as eras, todos eles sem escrita, a vasta prole expulsa dos que fazem a valia do mundo.

No próprio registo de um tecido que não sei o que seja se me abrem as portas do Indo e de Samarcanda, e a poesia da Pérsia, que não é de um lugar nem de outro, faz das suas quadras, desrimadas no terceiro verso, um apoio longínquo para o meu desassossego. Mas não me engano, escrevo, somo, e a escrita segue, feita normalmente por um empregado deste escritório.

in "Livro do Desassossego", por Bernardo Soares.

domingo, 15 de novembro de 2015

Em casa do mestre da luz

O magnífico “Paseo a orillas de mar”,
a obra mais conhecida do museu.

Descobrir a Casa-Museu Sorolla entre os prédios do Paseo General Martínez Campos, em Madrid, é entrar num pedaço de paraíso que resiste à pressa e agitação do mundo contemporâneo. Temos a honra de ser convidados em casa de um dos pintores que melhor soube registar a luz. Sorolla é um talentoso mestre que se tornou intemporal e a sua obra deve ser visitada e revisitada.

Joaquín Sorolla (1863-1923), pintor pós-impressionista, foi o mais importante do chamado luminismo valenciano e as suas obras mais conhecidas captam a luz de uma forma envolvente, que se mistura com o movimento do vento, e revelam expressões que nos prendem. No aparente realismo dos seus quadros há um mistério que nos intriga e que nos leva a olhar mais fundo, numa descoberta pessoal.

É assim um privilégio ver as suas obras naquela que foi a sua casa de família e onde pintava, construída entre 1910 e 1911 segundo o projecto do arquitecto Enrique María Repullés, a quem Sorolla deu indicações preciosas para as entradas de luz. Em 1925, a viúva do pintor, Clotilde García del Castillo, deixou em testamento os seus bens ao Estado espanhol para a criação de um museu em homenagem ao seu marido. A Casa-Museu Sorolla foi assim fundada em 1933 e teve como primeiro director o filho do pintor, Joaquín Sorolla García.

Aqui podemos encontrar uma extensa colecção de obras, que cobrem todas as fases da vida de Sorolla, bem como os seus objectos pessoais e de trabalho. No ‘atelier’ podemos ver a sua secretária e o local onde pintava. As paredes estão repletas de quadros, mas há ainda estantes com variados objectos. No interior da cama coberta por grossas cortinas que aí se encontra, descobrimos uma prateleira com livros e, entre os clássicos, vemos um volume do nosso Eça de Queirós. As divisões térreas têm uma fotografia antiga que mostra o seu estado original e, no irresistível exercício comparativo, confirmamos com agrado que as semelhanças ultrapassam as diferenças.

Sorolla era um homem de família, o que se sente nos vários quadros onde retrata a sua mulher e os seus filhos. A sua obra tem ainda um lado etnográfico, ao registar os trajes e os costumes da sua Valência natal. Foi também retratista e paisagista. Um pintor completo e excepcional que nos abriu portas...

sábado, 14 de novembro de 2015

Nada de novo


Os intolerantes da tolerância, "humanitaristas" de salão, pregadores das portas abertas, chantres do politicamente correcto e auto-intitulados senhores da verdade universal vão explicar e justificar. Os que alertaram são "alarmistas", porque o "verdadeiro perigo" está naqueles que insistem em defender a sua pátria, o seu povo e a sua civilização. As novas "marchas pela paz" vão solucionar tudo. Como dizia o Ministério da Verdade na distopia orwelliana "1984", "guerra é paz". Neste caso, é submissão.

Geopolítica da Índia e da China


A revista francesa de Geopolítica “Conflits”, dirigida por Pascal Gauchon, tem vindo a afirmar-se como publicação de referência para quem quer compreender melhor os desafios do mundo em que vivemos. A edição n.º 7, referente ao último trimestre deste ano, tem como tema central a Índia e a China e a forma como se podem desenvolver as relações entre estas duas potências asiáticas. Um número a não perder, que está à venda no nosso país.

Será que os gigantes indiano e chinês serão as peças de um entendimento anti-hegemónico, ou as rivalidades e divisões entre as duas potências as manterão de costas voltadas? É uma questão de difícil resposta, ainda que muito importante para o futuro. O excelente ‘dossier’ deste número da “Conflits” dá-nos preciosas informações para uma análise fundamentada. De entre os vários artigos, destacam-se a introdução feita pelo director da revista, bem como a comparação de forças entre os dois países e a sua rivalidade geopolítica e económica ilustrada em mapas. A seguir são analisadas por vários autores as relações económicas e militares entre a Índia e a China, sem esquecer o Paquistão, o Oceano Índico, a presença de ambos os países em África, e as relações com o Japão, os EUA e a Rússia. Ainda ligado ao tema central, é de referir a entrevista ao sinólogo francês François Godement sobre o expansionismo chinês.

Nos restantes artigos, são de referir o retrato de Henry Kissinger, a análise dos paraísos fiscais e da forma como as grandes potencias necessitam deles, bem como a história da estratégia do império azteca. Nota ainda para a entrevista com o General François Lecointre que fala sobre o papel do exército francês face ao terrorismo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

X Jornadas da Dissidência


De regresso às Jornadas da Dissidência, organizadas pelas Ediciones Fides, subornidadas ao tema "Quixotes do século XXI", para representar Portugal.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Tirar a G3 do baú...


Leio no «Público» de hoje o “desabafo” de um dirigente socialista que, quando confrontado com a possibilidade de Cavaco Silva não dar posse a António Costa como primeiro-ministro, afirmou: “O que é que a gente fazia, recuperávamos a G3?

Para além do erro de concordância da segunda forma verbal, note-se como não é apenas na extrema-esquerda que o discurso do PREC continua vivo. Como já escrevi, há ainda no Largo do Rato quem acredite nos “amanhãs que cantam” e, como se vê, cantam ao som das rajadas da velha G3...

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O maior poeta pagão neste mundo


Na introdução à sua tradução de "Os Cantos", publicada em Portugal pela Assírio & Alvim, José Lino Grünewald afirma que «Ezra Pound é - com todas as honras - o maior poeta pagão neste mundo "cristão e ocidental". Ele é também o maior poeta "participante" dentro deste mesmo mundo "cristão e ocidental" - o maior poeta anticapitalista».

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Dia d'O Diabo

Em linha...


Para votar a moção de rejeição ao Governo, os deputados não conseguiram usar a aplicação electrónica, como se expulsassem um participante de um reality show, antes tiveram que perfilar-se, fila por fila, como se estivessem numa linha de identificação policial.

Em brasa...


No fim-de-semana passado, houve pancadaria num supermercado por causa das promoções nos brinquedos. Hoje, as manifestações em frente à Assembleia da República são pacíficas. As prioridades mudaram... A violência política tem agora lugar nas redes ditas sociais. Já não se incendeiam sedes partidárias, mas o Facebook está em brasa...

Indigestão


Leio que os acordos do PS com a extrema-esquerda serão assinados, em privado, à hora de almoço. Faz sentido. Depois de tanto encherem o peito, convém encher a barriga. O pior vai ser a digestão...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A memória nunca no mundo viu tão grã vitória

A Batalha do Salado ilustrada por Roque Gameiro.

Eis as lanças e espadas retiniam
Por cima dos arneses: bravo estrago!
Chamam (segundo as leis que ali seguiam)
Uns Mafamede, e os outros Santiago.
Os feridos com grita o Céu feriam,
Fazendo de seu sangue bruto lago,
Onde outros meios mortos se afogavam,
Quando do ferro as vidas escapavam.

Com esforço tamanho estrui e mata
O Luso ao Granadil, que, em pouco espaço,
Totalmente o poder lhe desbarata,
Sem lhe valer defesa ou peito de aço.
De alcançar tal vitória tão barata
Inda não bem contente o forte braço,
Vai ajudar ao bravo Castelhano,
Que pelejando está co'o Mauritano.

Já se ia o Sol ardente recolhendo
Para a casa de Tethys, e inclinado
Para o Ponente, o Véspero trazendo,
Estava o claro dia memorado,
Quando o poder do Mauro grande e horrendo
Foi pelos fortes Reis desbaratado,
Com tanta mortandade, que a memória
Nunca no mundo viu tão grã vitória.

Camões
"Os Lusíadas" (III, 113-115).

Erro certeiro


Não resisto a partilhar esta imagem, porque vale mais que mil palavras (erradas). Diz o Eduardo Cintra Torres que este é o "melhor erro de português de sempre". E explica: "A TVI fez uma peça sobre os erros de português com um erro básico no título. A coincidência mostra a habitual arrogância da televisão: é o médio que mais erra, mas só menciona as falhas dos outros, as suas, que são muitas, nunca as reconhece."

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Quanto pior, melhor

O “interesse nacional” é um palavrão com que muitos candidatos enchem a boca durante o período de campanha eleitoral, mas no jogo político-partidário as prioridades são bem diferentes. Os interesses, sejam pessoais, do partido, ou outros, valem mais que Portugal.

Assim, não é de estranhar que haja uma máxima que interessa a muitos: quanto pior, melhor. Ou seja, a instabilidade pode dar créditos e alterar a correlação de forças, permitindo alterações de fundo.

Perante o imbróglio actual, eis-nos chegados a um ponto em que o desejo de que tudo piore é transversal a vários grupos, por diferentes motivos. Do lado da coligação, há quem veja numa situação desastrosa um regresso a 1987, quando Cavaco Silva conseguiu uma maioria absoluta depois de o seu governo minoritário ter sido derrubado no Parlamento. No PS, por seu lado, há uma ala que espera que tudo piore para que António Costa seja de novo derrotado, desta vez como primeiro-ministro, para vencer nas eternas lutas intestinas. Já o actual secretário-geral do PS deseja que o estado caótico em que nos encontramos lhe dê a vitória que não conseguiu nas urnas.

Quanto aos putativos aliados dos socialistas à extrema-esquerda, esta é a situação ideal para prosperarem. Mesmo apoiando um desastroso governo minoritário do PS, podem sempre atirar-lhe as culpas e fazer o estafado discurso da auto-proclamada “superioridade moral”.

Parece que, depois de tantos anos de “centrismo virtuoso”, a Assembleia da República se dividiu e que, afinal, há esquerda e direita. Assim sendo, quem é o centro? Só se for o estreante PAN, mas apenas por localização geográfica da cadeira...

Não nos iludamos. Assistimos apenas à crispação das habituais quadrilhas políticas que se digladiam como sempre. Desta crise não surgirá a tão necessária alternativa nacional. Por agora, quanto pior, pior.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A história de Pablo Escobar


O serviço de ‘streaming’ Netflix chegou a Portugal, mas os espectadores estranharão certamente a reduzida oferta de conteúdos, nomeadamente a ausência de séries de sucesso como “House of Cards” e “True Detective”, ou ainda de vários filmes, o que se deve à venda dos direitos de transmissão. Das séries disponíveis, a que mais tem dado que falar é “Narcos”, que nos conta a história de Pablo Escobar, talvez o traficante de droga mais conhecido do mundo.

Criada por Chris Brancato, Carlo Bernard e Doug Miro, “Narcos” conta com José Padilha, que revelou um talento extraordinário no filme “Tropa de Elite” (2007) e na sua sequela, na realização dos dois primeiros episódios, algo que se nota positivamente. Mas não é apenas este o único brasileiro que salta à vista, já que o papel principal cabe a Wagner Moura, que interpretou o Capitão Nascimento nos dois filmes de Padilha referidos.

A série é uma viagem aos anos 80 do século passado e conta a história de como Pablo Escobar construiu um verdadeiro império com os lucros do tráfico de cocaína para os EUA, com o qual conseguiu uma fortuna incalculável. O colombiano tinha como mote “plata o plomo” (dinheiro ou chumbo), isto é, corrupção ou intimidação. A sua influência estendia-se a políticos, juízes, militares, polícias, jornalistas, entre tantos outros, e a sua popularidade foi tal que, depois de contribuir com muito dinheiro para obras sociais de apoio aos mais desfavorecidos, chegou a ser conhecido como o “Robin dos Bosques dos pobres”.

A tentação da política levá-lo-ia a declarar guerra ao Estado colombiano e o terrorismo tornou-se prática comum. Mas a vida de um traficante está sempre marcada pelas infidelidades, sejam conjugais ou dos membros do grupo. Para piorar a situação, o ambiente político que se vivia na Colômbia naquele tempo era altamente instável.

Os EUA exerciam forte influência para tentar controlar os movimentos comunistas no país, mas o agravar do problema da droga e o poder de Escobar fizeram com que dessem mais atenção ao tráfico. Assim, é a vida do agente da DEA, o órgão de polícia federal norte-americana de combate às drogas, Steve Murphy (Boyd Holbrook) que serve para introduzir todo o enredo. É ele o narrador que explica demasiado o que se passa, chegando ao ponto de recordar aos espectadores que naquele tempo não havia as tecnologias disponíveis hoje em dia ou, pior, dizendo para se prestar atenção a determinado aspecto.

Por fim, a recriação feita é aceitável, mas a utilização de imagens de época – um pormenor que se torna interessante – parece mais querer justificar o realismo que a série não consegue. Ainda assim, os dez episódios da primeira temporada vêem-se com agrado, mas sem deslumbre. Aguardemos pela segunda temporada, mas sem grandes expectativas.

sábado, 24 de outubro de 2015

Paisagens simbólicas


Em entrevista à "Descubrir el Arte", Carter Foster recusa classificar Edward Hopper como pintor realista e afirma: "ele aproveita a liberdade de usar a sua própria imaginação e acredito que há um equilíbrio complexo entre a realidade reconhecível e esse algo mais, algo que chega a uma certa paisagem interior, a uma paisagem simbólica."

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Estamos numa “espécie de purgatório pós-moderno”...

Há pouco mais de um ano entrevistei Jaime Nogueira Pinto para o semanário «O Diabo». Tendo em conta o momento político que atravessamos, recordo uma das perguntas que lhe fiz:

Hoje estamos num “limbo virtual”, uma “espécie de purgatório pós-moderno”, como afirma. Porquê?
Estamos sim. Fomos o primeiro Império ultramarino da modernidade e fomos também o último. Passámos também, caso raro num país europeu, por um curto ciclo revolucionário em que repetimos as ilusões trágico-cómicas da utopia comunista – isto nas vésperas do Comunismo real desaparecer como modelo político-económico e social.
A esquerda doméstica, criada no ódio vesgo a Salazar, que a afastou por quase meio século do poder, acabou por ser a grande sobrevivente do salazarismo. Com os seus mitos resistencialistas, com a sua dramatização heróica de um tempo em que não teve protagonismo, com a sua caricatura negra dos “Quarenta e Oito Anos de longa noite fascista”. Talvez estivesse no seu direito de vingança e compensação. Mas também não conseguiu ocultar, fora do ideológico, a modernização que aconteceu em Portugal nos últimos quinze anos do Estado Novo.
A radicalidade do PREC foi vencida graças à aliança objectiva entre a Intelligence norte-americana, a pressão europeia, o peso de Yalta e a resistência, às vezes brutal, do povo do Norte e Centro-Norte.
Em Novembro de 1975 (por isso chamei Novembro ao romance que escrevi e publiquei em 2012), acabaram os dois “projectos globais” portugueses – o da Direita, que era o Império ultramarino, e o da Esquerda, a Revolução socialista. Céus e Infernos trocados.
Fomos então para o purgatório, para esta espécie de liberal-social-democracia, mais ou menos de mercado, mais ou menos social, na faixa pobre da Europa. Por isso lhe chamo purgatório, pois saímos do Inferno ou da sua visão (do comunismo pêcêpista e dos esquerdismos maoístas), mas estamos longe do Céu – da nação independente, livre e desenvolvida, que nos foi sendo prometida.
Na classe política oriunda do velho Reviralho, os “antifascistas de sempre” converteram-se ao esquerdismo utópico e politicamente correcto. Renunciaram a todo e qualquer realismo político. São utópicos porque acham que lhes fica bem.
Agora que o liberalismo passou de moda (tantos foram os seus efeitos perversos), a direita sistémica refugia-se num catecismo eurocrático, mais ou menos funcional e asséptico. Ideias, nem vê-las, quanto mais tê-las.
Não há, em Portugal, um partido nacionalista – como há em França, na Grã-Bretanha e em muitos países da Europa Central e de Leste. Restaurar no léxico político-ideológico a nação como valor político corrente, seria um bom princípio.

Os derrotados

Os resultados dos votos dos emigrantes deram mais três deputados à coligação “Portugal à Frente”, o que torna ainda maior o número de mandatos alcançados pelo PSD e pelo CDS. Ainda assim, os respectivos líderes estão inseguros e dão uma inexplicável aparência de derrotados, permitindo a António Costa assumir o papel de futuro primeiro-ministro.

O secretário-geral do PS, o grande derrotado, que pedia a maioria absoluta convicto na vitória, mesmo contra todas as sondagens, pavoneia-se agora como “salvador da Pátria” – quando na realidade é um mero salvador da própria pele –, passando a ideia de que a “esquerda” (a eterna ilusão da união...) venceu as eleições e ele é o comandante na batalha contra a “direita”.

Assim, Costa tenta o entendimento historicamente ‘contra-natura’ com os partidos da extrema-esquerda, menosprezando a guerra civil que estala dentro do PS. Já bloquistas e comunistas aproveitam o momento para dar um ar de respeitabilidade, apesar de, como sabemos, continuarem a pôr os interesses dos próprios partidos à frente dos do País. Estes são partidos a quem servem bem as derrotas, isto é, nunca chegarem ao governo e, consequentemente, ficarem sempre no lugar mais confortável da oposição contestatária, que promete mundos e fundos.

A propósito da acção do secretário-geral do PS, escreveu Vasco Pulido Valente que “o papel que Costa pretende equivale a tomar o comando de um grupo de guerrilhas, na esperança de o transformar num exército prussiano”.

É uma comparação bélica adequada, mas, se olharmos para os bastidores, vemos que Costa abriu guerra em todas as frentes – à direita, à esquerda e em casa – e caminha para a derrota final. Estamos num impasse que muito provavelmente atirará o País para novas eleições daqui a seis meses, mas os partidos parecem não se incomodar.

Perante este cenário caótico, que irá agravar a crise, os verdadeiros derrotados são os portugueses – todos nós.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Abandonado


“71”, estreia do francês Yann Demange como realizador no Cinema, é uma descida ao início dos “Troubles” na Irlanda do Norte. O jovem militar britânico Gary Hook (Jack O'Conell) é mobilizado para Belfast e descobre que o conflito que é “em casa” está afinal muito distante. Depois de deixado para trás numa missão de apoio a uma rusga feita pela Royal Ulster Constabulary, inicia uma corrida pela vida onde descobre que o confronto entre católicos e protestantes tem muitos lados e que as fidelidades são flutuantes.

O filme arrasa com qualquer concepção romântica da guerra e da instituição militar, mas é o lado adolescente que mais se evidencia nesta dura lição de vida. A tenra idade de tantos combatentes, a sua proximidade pela vizinhança e a ingenuidade que se perde abruptamente, são um espelho da própria vida de Hook. Ele é um homem sozinho contra todos e, no fim de contas, o que interessa verdadeiramente é o seu irmão mais novo Darren. Uma criança que é toda a sua família e pela qual vale a pena lutar. O único motivo pelo qual tem que sobreviver.

domingo, 18 de outubro de 2015

Raul Lino em Cascais


Foi na Casa de Santa Maria, em Cascais, que uma plateia atenta assistiu ontem ao lançamento das Actas do IV Ciclo de Conferências Raul Lino em Sintra, com apresentação de António Braz Teixeira e Rodrigo Sobral Cunha. O concluir de uma iniciativa louvável, que é apenas um início...

Em 2014, ano em que se assinalaram os 40 anos do falecimento do arquitecto e os 100 anos da inauguração da sua Casa do Cipreste, iniciou-se o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra, que decorreu em quatro ciclos de conferências, segundo as Estações do ano, organizado por Rodrigo Sobral Cunha, docente do IADE. As comunicações apresentadas no último ciclo, realizado em no Palácio de Seteais em Fevereiro deste ano, cujas actas foram agora publicadas e constituem o maior volume dos quatro, ficam agora acessíveis a todos os que queiram conhecer e estudar o trabalho, o talento e a importância de Raul Lino.

Como notou Rodrigo Sobral Cunha na sua apresentação, os quatro volumes publicados atingem uma dimensão e qualidade impressionantes. O docente do IADE recordou o interesse que o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra gerou, nomeadamente a participação de várias instituições e a adesão de um público inteligente.


De seguida, António Braz Teixeira, depois de apresentar o volume agora publicado, notou alguns aspectos da obra de Raul Lino que ainda estão pouco tratados, como é o caso da sua actividade como programador de Cinema. Razão pela qual considerou que todo este trabalho não pode terminar. De facto, o entusiasmo de todos os participantes transmitiu, felizmente, a certeza de uma continuidade.

Por fim, quando estamos a celebrar um arquitecto, o espaço ganha outra importância; por isso, a escolha da belíssima Casa de Santa Maria foi óptima para esta evocação. Projectada por Raul Lino e construída em 1902 para Jorge O’Neil, tendo depois sido vendida ao engenheiro José Lino Júnior, irmão mais velho do arquitecto, que a enriqueceu com um conjunto de azulejos artísticos do século XVII e um tecto de madeira pintado a óleo, a Casa de Santa Maria é hoje um equipamento da Câmara Municipal de Cascais que se destaca pela importância dada aos eventos culturais.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Os caminhos da reflexão


"Qualquer pessoa pode seguir os caminhos da reflexão à sua maneira e dentro dos seus limites. Porquê? Porque o homem é o ser (Wesen) que pensa, ou seja, que medita (sinnende). Não precisamos, portanto, de modo algum, de nos elevarmos às ‘regiões superiores’ quando reflectimos. Basta demorarmo-nos (verweilen) junto do que está perto e meditarmos sobre o que está mais próximo: aquilo que diz respeito a cada um de nós, aqui e agora; neste pedaço de terra natal, agora, na presente hora universal."

Martin Heidegger
in "Serenidade".

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Os ontens que cantam...


A maioria relativa alcançada pela coligação Portugal à Frente nas eleições legislativas, antecipada pelas sondagens, não foi uma surpresa. Aliás, à esquerda afiavam-se já as facas para tornar a vida difícil ao novo governo.

Mas foi por via do partido que tanto insistiu em apresentar o seu “candidato a primeiro-ministro”, coisa que não existe no nosso país, que muitos portugueses ficaram a saber que, constitucionalmente, o governo pode não ser formado pela força partidária com mais assentos parlamentares.

António Costa, que tanto desdenhou da “vitoriazinha” de António José Seguro nas eleições europeias, anunciou prontamente que o resultado obtido não o faria abandonar o cargo de secretário-geral do partido e disse também que não alinharia em “maiorias negativas”.

Mas, ao considerar o resultado da coligação como uma vitória com sabor a derrota, passou a sentir que a sua derrota tinha o sabor da vitória. Mais, ao piscar o olho à extrema-esquerda para a viabilização de um governo socialista, em coligação ou com o apoio parlamentar, veio mostrar a velha tentação de liderar uma união à esquerda, extremando o posicionamento político do partido.

Esta seria uma saída da sua “zona de conforto”, leia-se do “arco da governação”, mas há muitos socialistas que a vêem com bons olhos. Outros nem tanto... Por isso, há quem fale no risco de desintegração do PS. Será que, à semelhança do que aconteceu com o BES, teremos no futuro um “PS bom”, o do centro e da “confiança”, e um “PS mau”, bem à esquerda e com todos os seus “(in)activos tóxicos”?

Ironias à parte, por muito que nos assegurem a respeitabilidade do PS como partido de governo, há uma ala radical que parece ter hoje mais força, intimidada pelo crescimento dos partidos da extrema-esquerda.

O tempo dos “revolucionários” de Abril foi ontem, mas pelo que vemos há ainda no Largo do Rato quem acredite nos “amanhãs que cantam”...

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Tintin no país da especulação


A propósito dos montantes milionários que têm atingido os originais de Hergé, é de ler o artigo publicado no último número da revista «The Good Life», intitulado justamente «Tintin no país... da especulação». Aqui se diz que o mais caro vendido até agora foi por 2.654.400 euros!

A conclusão levanta a questão do que pensaria Hergé de tudo isto e arrisca que responderia, como o seu herói no último álbum inacabado: "Nada!... Já não compreendo nada."