quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O labirinto

Operação Labirinto foi o nome escolhido para a investigação de uma rede de relacionamentos dentro do Estado que conseguia luvas para a atribuição dos chamados “vistos dourados”. O escândalo atingiu, até agora, vários “altos quadros” da Administração Pública, incluindo o director de uma polícia, e provocou a demissão do ministro da Administração Interna.

Não cabe agora discutir se a Autorização de Residência para Investimento, que data de 2012, é uma boa medida. Não considero que seja, mas não é este caso que a torna má. A questão é muito mais profunda e complexa, tem que ver com a identidade nacional.

O que agora está em causa é saber se esta operação policial mostra que, afinal, a Justiça funciona e chega ao topo da pirâmide. Será que chega?

Infelizmente, casos anteriores semelhantes demonstraram que, depois do espalhafato mediático, pouco ou nada se altera. Pelo contrário, agrava-se o sentimento generalizado de que os poderosos são impunes.

Mas não será que esta tentação popular em ver no Estado policial o garante da honestidade dos governantes a maior prova de que é a própria estrutura que está corrompida? E será que é assim que é possível resolver um problema desta ordem?
Como derrotar o monstro e regressar? Há quem queira ver nesta operação a coragem de Teseu que derrotou o Minotauro. Não se iludam.

No actual sistema não há heróis e a besta e o dédalo confundem-se. A corrupção é o próprio labirinto e muitos ficam presos nas redes que criaram.

Será que não conseguiremos sair? Haverá uma Ariadne que nos dê um novelo de fio para que consigamos encontrar o caminho de volta?

O combate à corrupção começa em cada um de nós, porque se trata de uma doença da comunidade que nos afecta a todos. A resposta está nos valores imateriais que nos devem guiar, está na verticalidade perante princípios, nunca num caso de polícia.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

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