sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Portugueses do Império

Tenho a honra e o privilégio de ter conhecido, privado e ter como amigos vários dos últimos Homens de um Império que foi nosso. Combatentes dispostos a fazer o sacrifício maior – o da própria vida – por todos nós, por Portugal. São a brisa depois da tempestade. O último sopro de uma memória que se apaga. Uma estirpe que contrasta com aqueles que actualmente nos desgovernam, mas que mostra que há, no nosso povo, uma chama que cresce quando a Pátria chama.

Recordei-me deles na morte do Comandante Alpoim Calvão, herói nacional que uns quantos – os do costume – preferem “esquecer”, incomodados com o seu carácter e grandeza.

Um homem que nunca baixou os braços e que não ficou “parado no tempo”. Como escreveu a esse propósito Jaime Nogueira Pinto no “Observador”: “É difícil para as gerações que vieram depois da Guerra e do Império compreender o ‘ethos’, a vida e o sentido da vida de homens como Alpoim Calvão. São, somos, de ‘outro país’, o que não quer dizer que não entendamos e que até possamos gostar deste. Calvão não era um ‘prisioneiro do passado’. Aí há 10 anos, em 2004, decidiu arrancar para a Guiné-Bissau com uma empresa destinada a empregar os seus antigos fuzileiros ou os seus descendentes. Fê-lo com outro combatente de África, o Francisco Van Uden, naquele espírito – também às vezes incompreensível para estranhos – de que os que gostávamos de África, não éramos necessariamente colonialistas opressores: gostávamos daquelas pessoas e daquelas terras. E continuámos ou voltámos a gostar quando de ‘nossas’ passaram a ser ‘deles’.”

A sua saída dos Jerónimos, altar da pátria imperial, levado por fuzileiros, recordava uma nau que se lança mais uma vez à aventura no mar das boinas azuis que o saudavam no exterior, em frente ao Tejo de onde saíram os nossos navegadores para dar novos mundos ao mundo, foi marcante. Os heróis não morrem.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

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