quinta-feira, 25 de setembro de 2014

“Tropa não!”

O título deste editorial foi uma das palavras de ordem que mais ouvi nos últimos anos do liceu e nos primeiros da Universidade. Era um tema que mobilizava a juventude de então, que extremava as suas posições, acentuava a sua divisão, mas onde era fácil prever que o fim do Serviço Militar Obrigatório aconteceria mais cedo ou mais tarde.

A geração dos filhos do ‘baby boom’ marcellista, que no início dos anos 80 do século passado ouvia o contestatário Rui Veloso a cantar “eu não quero ir à máquina zero”, foi na sua maioria alistada na Reserva Territorial, devido ao excesso de contingente, no início da década de 90.

Neto de oficiais de diferentes ramos das Forças Armadas, sempre vi a instituição militar com respeito, considerando-a essencial para a salvaguarda da Pátria. Assim, bastante jovem, via com maus olhos os defensores do “tropa não!”, que eram principalmente motivados pela ilusão do conforto, recusando qualquer esforço e receando a dureza da recruta. Mais, a queda do Muro de Berlim era a justificação ideal para quem se queria convencer de que o mundo entrara numa era sem guerra.

Numa afirmação do que para mim fazia sentido, depois de me tornarem “reservista”, ainda tentei o voluntariado, mas a entrada – então difícil – no Ensino Superior ditou-me outro percurso de vida.

Naquele tempo, muitos viam a defesa do Serviço Militar Obrigatório como uma das causas que separava a direita da esquerda, mas esta simplificação binária era obviamente falsa. No início, era notório que tal campanha anti-militar vinha da extrema-esquerda, mas rapidamente passou para as juventudes partidárias. A direita parlamentar acabou por ser responsável, ou cúmplice, do fim da conscrição e apenas o PCP se opôs. Prova de que a defesa nacional não obedece necessariamente a posicionamentos político-partidários.

E hoje, que devemos fazer? Não acredito no regresso ao modelo que há dez anos abandonámos, mas há que lançar o debate e repensar a mobilização popular em defesa da Pátria.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

Sem comentários:

Enviar um comentário