quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Experiência

Ao vermos o percurso dos nossos políticos, imediatamente nos perguntamos qual a sua preparação e qual a sua experiência. De facto, ao olharmos para uma geração nascida e criada nas juventudes partidárias, com diplomas universitários que não passam de papéis de embrulho, normalmente sem qualquer trabalho concreto nos órgãos de poder, não podemos ficar descansados.

No entanto, não se pense que este é um problema contemporâneo. Podemos aprender a ser bons políticos? E como? Já na Antiguidade se punham tais questões, pelo que é útil recorrer aos clássicos.

Questionava Aristóteles, na sua “Ética a Nicómano”: “Será que tal como aprendemos outras perícias em especialistas nessas áreas, também podemos aprender a perícia legisladora junto dos que dominam o saber nas áreas do exercício do poder político? Ou será que não há semelhança entre a perícia no exercício do poder político e as restantes ciências e capacidades?”

Considerando que nenhum dos que proclamam ensinar a política a põe em prática, o filósofo grego afirmava que “não é pouco relevante o contributo dado pela experiência nestas matérias”. Por isso, “aqueles que aspiram ao saber em áreas políticas precisam de experiência”.

Assim, um político competente necessita de conhecimento teórico e de experiência. Mas será que basta? Tal pressupunha que quem nos governa fosse guiado por valores e zelasse pela prossecução do interesse comum nacional.

Ora, em especial nos tempos que correm, não podemos infelizmente partir desse princípio. Assim, para além da preparação obviamente necessária, a característica fundamental de um político deve ser a defesa da Pátria.

Portugal precisa de quem saiba de onde vimos e para onde vamos.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

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