sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Ortografia

Cerca de 63 por cento dos professores cometeram pelo menos um erro ortográfico na Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidade (PACC), segundo foi divulgado na passada semana pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC). Apesar do caos gerado pelo Acordo Ortográfico, a maioria dos erros não se deveu a esta aberração imposta por uma decisão política irresponsável. Os números são, por isso, ainda mais preocupantes. Como esperar que os alunos saibam escrever correctamente quando a maioria dos professores não o sabe fazer?

Esta é uma situação que está longe de ser um exclusivo nacional. Em França, cada vez mais estabelecimentos de ensino superior impõem as estudantes um ditado colectivo para avaliar o seu nível de ortografia e de gramática. Os resultados revelaram um naufrágio linguístico – 60 por cento dos alunos demonstraram uma ortografia catastrófica, com uma média de 14 erros em 10 linhas de texto. As universidades portuguesas deviam começar a fazer testes semelhantes, se bem que não é difícil imaginar os resultados...

É óbvio que a solução deve começar no Ensino Básico, onde a aprendizagem da língua, em todas as suas vertentes, não deve ser descurada, transmitindo aos mais novos um conhecimento sólido e duradouro da nossa língua. No entanto, tendo em conta a extensão do problema, que atinge estudantes mais velhos e até professores, são necessárias outras medidas.

Há que encarar esta situação sem tabus, avaliando quem ensina e quem é ensinado, ao mesmo tempo que se criam plataformas de reaprendizagem em larga escala. Simultaneamente, devemos valorizar a importância da ortografia, académica e socialmente, tantas vezes desprezada.

Ortografia é uma palavra de origem grega que significa “escrita correcta”. Considerando que a língua, para além de uma forma de comunicar, é também uma forma de pensar, ao corrigirmos a nossa escrita estamos a estruturar o nosso pensamento.
Publicado na edição desta semana de «O Diabo».

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