domingo, 27 de julho de 2014

Outros tempos


Fachada do Liceu Rainha Dona Leonor, em Lisboa.

Para um Amigo que partiu.

Hoje lembrei-me dos tempos do liceu por tua causa e pelo pior dos motivos. O tempo e a distância não esbateram a amizade, assim o confirmámos graças à Internet. Mas o passado de todos é também de cada um e ganha cores próprias, umas bastante negras. Porque esses tempos foram os das certezas absolutas, mas também das asneiras monumentais; dos amigos sinceros, mas também da crueldade implacável da adolescência; do ritmo sempre apressado nos dias que pareciam não acabar. Até que tudo se inverteu, naquela que é talvez a maior partida que a vida nos prega, mas as recordações ficaram.

Estava convicto de que o nosso "bando dos quatro" se reencontraria num futuro não muito longínquo, em Alvalade, claro, no nosso bairro. Tal como num romance de guerra, onde velhos camaradas de armas se cruzam para um último copo. Mas não era mais que a minha imaginação turvada pelos livros e filmes que me acompanharam sempre. A realidade é mesmo diferente e pode ser decidida por nós. Não quiseste voltar. Nunca quiseste voltar ao sítio onde ficaste para sempre preso no tempo. Talvez por isso a partida fosse inevitável...

Numa das nossas últimas conversas, disseste-me: "Sempre achei que tínhamos algo essencial em comum: o prazer por saber e brincar com isso, e um sentido de humor em que valia realmente tudo - a rir, claro." Tínhamos.

Até sempre!


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