quinta-feira, 26 de junho de 2014

O imenso poder da banca

Depois do que se passou no BCP, no BPP, no BPN e agora no Grupo Espírito Santo, não é disparatado considerar que os “buracos” existem provavelmente em todos os bancos nacionais. Há dias fiz esta exacta pergunta a um amigo economista, actualmente aposentado, que ocupou durante muitos anos posições importantes na alta esfera financeira. Sem espanto, devo confessar, disse-me que era o mais certo.

Muitos dirão que aqui não há novidade, mas o que está em causa não é uma mera notícia. O problema de fundo é que as instituições bancárias têm vindo a revelar-se verdadeiros agentes nocivos para o País.

Depois de endividarem grande parte da população, atraindo as pessoas com um fácil acesso ao crédito ao consumo, imiscuíram-se na política conseguindo uma influência demasiada, gerando dúvidas sobre quem comandava realmente os nossos destinos. Ao mesmo tempo, foram os principais cúmplices da venda do País a interesses estrangeiros e serviram de canais de transmissão de dinheiro – muito dinheiro – de origem duvidosa.

A banca contribuiu directamente para a crise que nos afundou, mas acabou por lucrar com ela. Tudo com a conivência de quem devia zelar pelos interesses nacionais e pelos portugueses.

Apesar de tudo, os banqueiros continuam a beneficiar de uma certa impunidade, sofrendo apenas sanções leves. Não é de estranhar que venham a público mais escândalos, mas o seu desfecho será seguramente o mesmo daqueles que conhecemos.
Por fim, a forma como os bancos gerem o dinheiro que não é deles mostra bem do que são capazes. É uma questão de falta de escrúpulos e de falta de respeito por quem lhes confia as suas poupanças.

A alteração do sistema bancário, nomeadamente pela sua responsabilização, não esquecendo o fim da promiscuidade com a política, é um passo essencial para um país mais justo e soberano. Mas, infelizmente, é um passo demasiado grande para as pernas dos que actualmente nos governam...

Publicado na edição desta semana de «O Diabo».

Sem comentários:

Enviar um comentário