quinta-feira, 5 de junho de 2014

Festa do livro

No passado sábado fui pela primeira vez este ano à Feira do Livro de Lisboa, em dia de enchente e de calor. Foi um passeio em família, continuando o hábito que os meus pais tão bem me transmitiram.
É sem dúvida revitalizante, passear entre livros, folheá-los, descobrir aquele que nem sabia que estava à procura. E durante o passeio encontrar um sem número de amigos e gente conhecida, muitos dos quais não via há muito.

Para muitos de nós, a Feira do Livro é algo de que nos lembramos desde tenra idade. Um dos primeiros contactos com a leitura que perdura e nos faz regressar todos os anos, até ao dia em que é com os nossos filhos. Quer dizer que cumpre, para além de uma função comercial, uma importante função cultural.
A multidão de várias gerações que se ali se congrega anualmente deve encher-nos de esperança. A sociedade dos ignorantes, nivelada por baixo, não é uma fatalidade. É possível e necessário contrariá-la. O amor aos livros e à leitura não está morto, como querem os pessimistas do costume ou os futurologistas que desconhecem as nossas raízes.

É certo que para grande parte da geração do conforto do imediatismo, ritmada pela instantaneidade do ‘zapping’, a leitura de um livro parece, à primeira vista, algo ultrapassado. Mais, surge como um exercício pesado que aparenta ser um esforço prolongado do qual não se obtém qualquer benefício. No entanto, como tão bem sabe qualquer leitor, para além da aprendizagem inerente à leitura esta proporciona um prazer que, depois de experimentado, não conseguimos abdicar. Um momento nosso onde viajando por outros mundos e conhecendo outras realidades nos conhecemos melhor a nós próprios.

A Feira do Livro continua a ser uma referência incontornável nos ritmos de Lisboa e um importante acontecimento cultural a continuar. Deve ser sempre uma festa do livro e não cair na tentação de se tornar um centro comercial a céu aberto.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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