quinta-feira, 19 de junho de 2014

A actualidade de um centenário


A propósito do centenário da Primeira Guerra Mundial, Robert de Herte recorda, no editorial de mais uma excelente edição da revista francesa “Éléments”, que este conflito “não se pode compreender a não ser pelo olhar da evolução histórica do capitalismo que está sempre à procura de novos mercados”, acrescentando que “o capital se vira regularmente para a guerra quando não há outro meio de fazer progredir a sobre-acumulação que é a sua razão de ser”.

No ‘dossier’ desta edição está em questão se o futuro do Velho Continente deve ser a “Europa mercado ou Europa potência” e, na abertura, Felix Morès conclui que “o eixo horizontal da construção de um grande mercado opõe-se ao eixo vertical da construção de uma potência política. Convém, consequentemente, separar a Europa política da Europa económica”. Dos vários artigos há a destacar “A audácia de um Estado federal europeu”, de Gérard Dussouy, “União Europeia, a objecção democrática”, de Éric Maulin, “O império, uma ideia muito antiga e muito nova”, de Pierre le Vigan, “É preciso sair do Euro?”, de Éric Maulin”, e “A união transatlântica: a grande ameaça”, de Alain de Benoist.

Como se não bastasse a qualidade do ‘dossier’, esta edição presenteia-nos com um texto de Ernst Jünger, inédito em francês, intitulado “Inclino-me diante dos que tombaram”, uma alocução proferida em Junho de 1979, enquanto convidado de honra das festas comemorativas de Verdun. De seguida, Julien Hervier, amigo, tradutor e editor de Jünger, desvenda as vulnerabilidades deste “homem de mármore”, numa entrevista concedida a Alain de Benoist. Por fim, Laurent Schang recorda o dia 25 de Abril de 1915, a partir do livro de Bernard Marris “L’Homme dans la guerre”, quando Jünger e Maurice Genevoix, combatentes em lados diferentes da Batalha de Les Éparges, foram feridos.

A abrir a revista, há ainda uma entrevista com Robert Redeker, filósofo e investigador, a propósito da publicação do seu ensaio original “Le soldat impossible”, sobre o desaparecimento do soldado no imaginário europeu. Redeker afirma que “só a guerra pode ressuscitar a política”.

Por fim, é de referir o artigo de François Bousquet sobre o “novo capitalismos criminoso” e a habitual secção “Cartuchos” com criticas a livros, o “Diário de um cinéfilo”, de Ludovic Maubreuil, e a “Crónica de um fim de mundo sem importância”, de Xavier Eman.

Uma revista que, apesar da sua longevidade, nunca perdeu a actualidade e importância no combate pelas ideias, essencial para a civilização europeia.

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