quinta-feira, 15 de maio de 2014

O caminho da Europa

Começou a campanha para as próximas eleições para o Parlamento Europeu e o desinteresse generalizado da população, em Portugal e não só, agrava-se. Mais uma vez, espera-se uma elevada abstenção.

Esta atitude não é de estranhar, já que a União Europeia foi decidida nas nossas costas, a troco de subsídios e créditos que encheram alguns e calaram tantos outros. A maioria dos portugueses, como de outros europeus, não se sente representada por eurodeputados, esses peões de um directório cada vez menos democrático de uma superstrutura longínqua e incompreensível. Assim sendo, votar para quê?

Por cá, os políticos nacionais insistem em confundir este acto eleitoral com os assuntos internos e a eternas tricas partidárias, em total desrespeito pelas instituições e pelos eleitores. Mas tal não é de estranhar, pois interessa-lhes a manutenção do conveniente ‘statu quo’. Por isso ligam prontamente as sirenes do alarmismo em relação aos chamados “eurocépticos”, que há para todos os gostos, por temerem uma ameaça de mudança, ainda que ténue.

Por muito que cresçam as vozes contra esta torre de Babel cada vez mais incompreensível, não será no próximo escrutínio que veremos uma alteração significativa. Mas pode ser um sinal. O voto pode, afinal, marcar a diferença?

Não há aqui qualquer sentimento anti-europeu. Não caiamos na armadilha semântica de quem vive no clube dos salários chorudos e das pensões garantidas.

A Europa é uma civilização de génio e singular. É a nossa matriz – a “estrutura de pequenas nações”, como escreveu Ortega y Gasset –, que não apaga as identidades das pátrias carnais. Não é a União Europeia, covil de burocratas e abstracção política de base económica, que nos faz europeus.

O caminho da Europa é o da nossa História comum e somos nós que o fazemos.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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