quinta-feira, 22 de maio de 2014

A Pátria não se vende


As fotografias de membros do Governo num novo parque de diversões alusivo aos Descobrimentos são uma bela imagem da perigosa brincadeira que está em curso.

Portugal é um Estado falido, depois da ilusão de anos de crédito que nos colocou numa situação de dívida asfixiante e infinita, que vê lá fora a sua salvação. Depois da emigração em massa começou a venda do País a interesses estrangeiros, das grandes empresas às habitações de luxo, passando pelos chamados “vistos dourados”.

É claro que não podemos, nem devemos, estar “orgulhosamente sós”. Mas o que é insustentável é que nos tornemos “submissamente deles”. Infelizmente, é exactamente esse o triste filme a que estamos a assistir.

Durante períodos da nossa História curvámo-nos bacocamente à pretensa superioridade de tudo o que vinha de outras paragens. Mas nem sempre foi assim. Mostrámos por diversas vezes o génio que outros invejaram e triunfámos onde se pensava impossível.

Mas o tempo actual é o da mediocridade, o dos negócios acima da política. Pior: do negócio que se tornou a política. Assim, não é de estranhar que tudo se possa vender...

Veja-se o caso das próximas eleições para o Parlamento Europeu, único órgão da União Europeia eleito directamente. Grande parte dos portugueses ignora-as, como se vê pelas elevadas taxas de abstenção, e os políticos da nossa praça usam-nas para os seus jogos habituais. Freitas do Amaral, por exemplo, afirmou que os portugueses vão aproveitar o voto nas europeias para mostrar “um cartão amarelo muito forte, talvez com tons encarnados, ao Governo”. A terminologia futebolística cai bem, já que no dia anterior Lisboa será inundada por espanhóis, espectadores de uma final da mais alta competição de clubes europeus da modalidade.

Tudo é um jogo? Tudo se vende? Não! A Pátria não se vende e o nosso futuro não pode ser uma mera aposta no casino daqueles que apenas ambicionam o lucro fácil. É tempo de acabarmos com a brincadeira.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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