quinta-feira, 17 de abril de 2014

O jogo da intriga política


A segunda temporada da série televisiva norte-americana “House of Cards” está a ser transmitida em Portugal pelo canal TVSéries. O intenso ‘thriller’ político continua e o implacável Frank Underwood ascende à Casa Branca. Os fins continuam a justificar os meios e a deliciar os espectadores nesta intriga política do mais baixo e sujo que há.

No ano passado estreava a primeira série produzida para o ‘site’ Netflix, mostrando como a Internet se vai substituindo ao cinema e à televisão. “House of Cards”, criada por Beau Willimon, que se baseou no livro homónimo de Michael Dobbs e na consequente adaptação televisiva britânica dos anos 90 do século passado, contou com a magnífica realização de David Fincher e com um elenco de luxo. O sucesso foi imediato e a confirmá-lo está o êxito com que foi recebida a segunda e anunciada uma terceira.

Nos corredores de Washington D. C. as lealdades não chegam a durar um dia e tudo se vende para chegar aos lugares almejados. É a política, estúpido! Poderia muito bem ser a definição desta intrincada rede onde se cruzam os decisores, os interesses económicos, o jornalismo, os escândalos e a devassa da vida privada.

Frank Underwood (Kevin Spacey) conseguiu chegar a Vice-Presidente dos Estados Unidos da América sem um único voto. A sua experiência nos meandros da cúpula do mais poderoso país do mundo, aliada à sua total falta de escrúpulos e a um planeamento pormenorizado, garantem-lhe o sucesso. Mas esta sede de poder conta também com a ajuda preciosa da sua mulher Claire (Robin Wright), com quem forma uma dupla que ninguém deve desejar como inimiga. Mas haverá amigos neste jogo?

Nesta acção de ritmo acelerado, há um pormenor perturbante. Frank fala-nos muitas vezes directamente, explicando a sua estratégia, tornando-nos cúmplices e arrastando-nos para a história, ao seu lado. Como não temer alguém que consegue influenciar até os que estão do outro lado do ecrã?
Bem escrita, bem realizada e bem representada, “House of Cards” é de ver e chorar por mais. Venha a terceira temporada, que esta deixa água na boca...

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