sexta-feira, 18 de abril de 2014

Canção de Abril

O quadragésimo aniversário do 25 de Abril de 1974 reavivou a melodia (seria melhor chamar-lhe monotonia...) do maniqueísmo habitual dos “antifascistas”, segundo a qual antes de Abril estava “tudo mal” e a seguir ficou “tudo bem”.

É obviamente uma falácia, reconhecida aliás por muitos que insistem que “falta cumprir Abril”, ainda que se recusem a ver que antes não se vivia propriamente uma “Idade das Trevas”, tão convenientemente teorizada para pura propaganda.

Um exemplo prático aconteceu na semana passada, quando Durão Barroso, com as sempre necessárias ressalvas, afirmou no Liceu Camões, em Lisboa, que antes do 25 de Abril de 1974 “havia na escola uma cultura de mérito, exigência, rigor, disciplina e trabalho”. Naturalmente, as esquerdas ficaram em polvorosa e choveram os ataques do costume.

A principal crítica, apesar de estafada, foi a da taxa de analfabetismo desse tempo. É curioso que a mesma comparação nunca seja feita em relação à I República e que seja esquecida a rede de escolas construída pelo Estado Novo, por exemplo.

Ao mesmo tempo, nesta era em que a economia tudo domina, a notícia de que o salário mínimo hoje vale menos do que há 40 anos, incomodou muita gente. Mas é bom que assim seja, porque chegou a hora de analisarmos o passado sem as classificações automáticas dos “revolucionários”, em especial daqueles que tão bem se acomodaram e que engordaram com o regime que instauraram. É claro que não podemos – muito menos devemos – voltar para trás, nem para Abril, nem para o que se viveu antes. O caminho de Portugal só pode ser o do futuro.

É pelo cansaço, pelas contradições e pela insuportável superioridade moral de uns quantos que os regimes caem, ainda para mais quando confrontados com uma crise económica que afecta directamente a vida dos cidadãos. Cientes desse perigo, os “guardas da revolução” dão à manivela do velho realejo...

A “canção de Abril” é uma música de embalar. Não nos deixemos adormecer.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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