domingo, 23 de março de 2014

Uma tara perdida


O Ribas morreu. Já ontem me tinham dito para esperar o pior, porque estava muito mal. Tinha talento e perseverança, mas também muita maluqueira. Conheci-o no tempo em que o Bairro de Alvalade - o nosso bairro - era um centro onde fervilhava a inovação musical. Um movimento extraordinário, no qual participei modestamente, mas onde ele se tornou uma figura incontornável. Tínhamos as nossas grandes diferenças e as habituais discussões, políticas e clubísticas, mas havia a música - sempre "o som". Mas muito mais do que isso, éramos de Alvalade.

Na última vez que falei com ele deu-me um exemplar da sua revista e disse que queria a minha opinião, "técnica e sincera". Nunca a cheguei a dar, foi essa a nossa despedida...

Adeus, Ribas. Nunca te conseguiram censurar, porque os mandavas sem hesitar para o cú de Judas. Não foste uma tara perdida.

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