quinta-feira, 20 de março de 2014

Os homens e as crises

É nos períodos mais conturbados que se destacam os mais capazes. Os líderes são exactamente aqueles que se elevam de entre os demais e se tornam um exemplo. Há também aqueles que se mantêm agarrados aos destroços flutuantes do navio, ao sabor das correntes, convencidos que o estão a comandar.

Infelizmente, estes últimos são sempre em maior número e o seu discurso, ainda que estafado, vai convencendo os que preferem a ilusão da mentira ao choque da realidade.

Vemos diariamente uma classe política medíocre, refém de interesses exteriores, que delapida o que é de todos e sobrecarrega uma população empobrecida, que não tem um projecto nacional. Governantes que apenas olham para o presente sem apontar para o futuro, aprendendo com o passado.

Mas este estado de coisas está longe de ser uma novidade – é aliás característico dos períodos de interregno. Neste fim de ciclo é de notar a actualidade das palavras de João Ameal sobre as crises e os homens: “Muitos dos grandes responsáveis dos tempos que correm, estonteados e desconcertados pelo ambiente da crise, de incerteza, de apreensão, mostram-se, de facto, incapazes de definir um pensamento claro e de manter uma linha de firmeza e de coerência. Fraquejam diante da tormenta que os cerca. Dia a dia, hora a hora, vemo-los oscilar, contradizer-se, desmentir-se. Não têm a coragem necessária para escapar à tirania de velhos mitos desacreditados, nem para traçar, entre os problemas e ameaças do momento o seu caminho. O drama europeu e universal a que assistimos resulta, sobretudo, dessa inferioridade dos grandes responsáveis: — competia-lhes impor-se aos acontecimentos e deixam-se afinal arrastar e dominar por eles...”

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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