O estado destes tudólogos que abundam nas televisões e nos jornais não é de estranhar. Embora insistam na “diferença de opiniões” e assegurem que proporcionam ao público um “debate livre”, partilham na verdade da mesma concepção linear da História.
Acreditaram no “fim da História” de idealização hegeliana e responderam “sim” à questão formulada por Francis Fukuyama no seu ensaio de 1989 intitulado “O Fim da História?” A Guerra Fria havia terminado e chegara o tempo do mercado mundial e, consequentemente, da “felicidade”.
Inebriados com a “democracia” e a “globalização”, convenceram-se que o mundo tinha realmente mudado e adormeceram ao canto das sereias da “paz eterna”.
Espantam-se, agora, que ainda existam nações, que ainda exista vontade, que ainda haja homens dispostos a lutar pelo que acreditam e que nem tudo tenha uma explicação puramente económica.
Custe a quem custar, a História está de regresso e o futuro abre todas as possibilidades, muito além de previsões de trazer por casa.
Mas nesta questão o que mais nos interessa é reconhecer, de uma vez por todas, que a Europa é impotente perante tamanhas alterações e convulsões, porque se deixou exactamente enfeitiçar pelo mesmo discurso. Não era o Velho Continente o “tubo de ensaio” da sociedade mundializada? Pois a experiência está a sobreaquecer e o vidro prestes a estalar.
Chegou o tempo da Europa se repensar – de reconquistar o ser lugar na História.
Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Isso mesmo, Duarte!
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