segunda-feira, 31 de março de 2014

Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal

Os sinais positivos da “retoma económica”, que muitos nos garantem ser o início do regresso do País a uma situação melhor, devem fazer-nos olhar mais longe. Portugal não se resume à economia e o destino da Pátria decide-se através da vontade política de afirmação de uma Nação quase milenar. O nosso propósito enquanto país soberano não se resume a “assumir os compromissos”, como se ouve repetidamente nas televisões e se lê nos jornais. O nosso futuro comum depende de conseguirmos que Portugal se assuma como historicamente já o fez. Esse deve ser o nosso compromisso e o de uma elite que defenda o interesse nacional.


Há muito que somos bombardeados nos ‘media’ com o discurso do “economês” que tudo domina. Não é por isso de estranhar o peso excessivo que têm ganho os ministros das Finanças, que assumem um destaque e importância que os tornam verdadeiros rivais do primeiro-ministro.
O problema do País resume-se à crise económico-financeira, que trouxe os vigilantes senhores da ‘troika’, e o nosso grande objectivo é pagar a enorme dívida – que continua a crescer – à custa especialmente de cortes salariais que têm degradado as condições de vida dos portugueses. As medidas de austeridade vieram para ficar e o que foi anunciado como temporário, afinal será permanente. Mas todo este esforço vale a pena? Os nossos governantes garantem-nos que sim.
A meta definida foi a retoma financeira e os primeiros sinais positivos chegaram finalmente. Para muitos este é o caminho certo e Portugal voltou a encarrilar. Mas, por muito boas que essas notícias sejam, não podemos reduzir o País a números, projecções e balanços, como se de uma qualquer empresa se tratasse.

A política
A crise que vivemos não é meramente financeira ou económica, é essencialmente política. A situação a que chegámos deveu-se a decisões políticas dos responsáveis pelo governo da Pátria. Nunca nos esqueçamos deste ponto fundamental.
Se a economia atingiu o estatuto que hoje tem, foi porque assim foi decidido ou porque os políticos se demitiram da sua verdadeira função, atolados no pântano da promiscuidade entre o mundo dos negócios e o da alta esfera do poder. O brilho do ouro cega, bem o sabemos, mas infelizmente parece que vivemos numa terra de cegos.
A distância entre eleitos e eleitores é cada vez maior e os portugueses não se identificam com um sistema no qual não se sentem representados. Muitos confundem a política com a baixa política e as tricas partidárias. Naturalmente, na presente situação, é fácil cair nessa generalização. Mas levantemos a cabeça e olhemos mais longe. Funcionando enquanto comunidade e sendo vigilantes e interventivos, os cidadãos devem ter uma elite dirigente que seja ao mesmo tempo competente e apaixonada pelo seu papel histórico de condução de um país. A passividade das queixas mudas nunca mudou o que quer que fosse.

A elite
Não é preciso uma formação especial ou conhecimentos alargados para perceber que os que nos governam estão longe de ser os melhores. Por um lado, temos uma geração inteira de políticos de criação, alimentados nas juventudes partidárias, que de bases ideológicas têm pouco – se é que têm alguma coisa – e olham para a escada dos cargos políticos como um meio para atingir um bem-estar material. Por outro, temos uma série de quadros de empresas que acham que os mesmos princípios da gestão se aplicam ao governo de um país.
É tudo mau? Não há excepções? Obviamente que nem todos se movem por interesses obscuros ou, pura e simplesmente, estão em cargos de elevada responsabilidade apenas para vingar na vida. Há ainda quem escolha esta via com a melhor das intenções, o problema é que rapidamente se depara com uma enorme máquina instalada, que continua a funcionar com todas as suas complicadas engrenagens e que é muito difícil de ultrapassar. Muitos daqueles que chegam à política com sentido de dever e serviço são engolidos por este mecanismo implacável.
Não há situações perfeitas, obviamente. Sempre houve “maçãs podres” na taça da fruta. O que acontece hoje é que essas “maçãs” começam a estar quase todas contaminadas.
É assim necessário o surgimento de uma nova classe política, uma verdadeira elite responsável capaz de tomar em mãos Portugal e projectar o nosso país para o futuro.

Um país único
Outra das grandes preocupações de quem nos governa é a imagem de Portugal lá fora, nomeadamente perante os credores e os “maiores” da Europa. Sem dúvida que a nossa imagem é importante; para fora, mas também para dentro.
Mais que cerimónias diplomáticas de beija-mão, demonstrações patéticas de um servilismo desnecessário, precisamos de assumir-nos como nação soberana e independente. Obviamente enquadrada num contexto europeu, mas nunca esquecendo de estabelecer uma ligação ao mundo lusófono, enquanto referência, que é a nossa área de influência geopolítica a nível mundial.
Veja-se a alteração no padrão dos turistas que cada vez mais nos visitam. Não vêm apenas pelo Sol e pelas praias, ou pelas isenções de IRS ou outros benefícios fiscais, que podem encontrar em muitas outras paragens. Vêm porque aqui encontram um país diferente, onde ainda descobrem muitas características que julgavam perdidas ou ultrapassadas na desvairada corrida do progresso uniformizador. A especificidade da nossa terra e da nossa gente é a nossa força.
Ganhemos ânimo e saiamos da depressão nacional em que nos encontramos. Por vezes basta assistir a um dos tantos programas televisivos estrangeiros que se têm feito sobre Portugal como destino turístico de eleição, para nos lembrarmos de como o nosso país é belo, rico e promissor. Mais: de como o nosso país é nosso e de como dele fazemos parte.

Retoma
A retoma económica de que todos falam deve ser o primeiro passo para a retoma política. Ou melhor, para a retoma nacional. O regresso de um país com uma História extraordinária, um passado de conquistas invejável e uma gente forte e trabalhadora, que guarda ainda no espírito um amor pátrio que é o melhor gerador de uma vontade inquebrantável.
“É a hora!” Dizia o nosso poeta. É a hora de reerguermos Portugal.

Sem comentários:

Enviar um comentário