quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Perigoso despesismo

O Acordo Ortográfico é uma aberração técnica com consequências muito prejudiciais para a nossa língua, ao qual o nosso jornal sempre se opôs, continuando a recusá-lo e a denunciá-lo. Em busca de uma unificação impossível, com o objectivo de fortalecer a lusofonia, o (des)Acordo apenas conseguiu isolar Portugal no disparate.

Uma insistência incompreensível, que ganha contornos totalitários e persecutórios, que não conseguiu evitar o caos ortográfico. Ao mesmo tempo, é ainda mais estranho porque vem de um Governo cujas principais figuras se opuseram – e bem – a esta decisão política errada. É preciso recordar, para dar um exemplo paradigmático, a campanha feita por Paulo Portas no jornal “O Independente”?

Mas, nestes tempos em que a economia domina e a contenção financeira está na ordem do dia, há um aspecto importante que parece não preocupar os nossos governantes. É claro que há um pequeno grupo de pessoas que ganha com as alterações ortográficas, mas os gastos que a sua aplicação implica, nomeadamente na Administração Pública, chocam com a poupança a que o País está obrigado pelos credores internacionais. Ou seja, andamos a destruir um património de todos à custa do dinheiro dos contribuintes.

Para os que ainda acham que o Acordo Ortográfico é um assunto menor porque nos encontramos em plena crise económico-financeira, aqui está uma óptima razão para se parar o delírio.

Para além de um atentado à língua portuguesa, o Acordo Ortográfico é um perigoso despesismo. Como escreveu Pacheco Pereira, “passado um período de transição, pode voltar-se rapidamente à norma ortográfica vigente e colocar o acordo na gaveta das asneiras de Estado, junto com as PPP e os contratos ‘swaps’ e muita da má despesa”.

Publicado na edição desta semana de «O Diabo».

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