quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O País não se tem sabido governar desde 1974

Mais de mil portugueses residentes em 59 países participaram no estudo “O Sistema Político-Partidário em Portugal visto pela Diáspora Portuguesa”, conduzido por André Corrêa d’Almeida, professor adjunto da Universidade Columbia, nos Estados Unidos da América, e director executivo do The Earth Institute, realizado no âmbito da Sustainable Development Solutions Newtwok, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas que apoia soluções de desenvolvimento sustentável. Segundo este investigador a “iniciativa tem como fim contribuir para a modernização do sistema político-partidário em Portugal” e é um “contributo para uma reflexão 40 anos após o 25 de Abril”. Ora, nem de propósito, 91 por cento dos inquiridos consideraram que o País não se tem sabido governar desde 1974. Uma percentagem impressionante, mas que não é de estranhar.

Os nossos emigrantes vêem o País de fora, não dependem directamente do sistema político, e podem criticá-lo livremente. Também não sentem a pressão que subsiste de que qualquer discordância com o regime instituído pelo 25 de Abril é automaticamente vista como “fascismo”.

O mesmo estudo revela que os portugueses emigrados estão de acordo em várias medidas que por cá são normalmente consideradas como “populistas”, quando não “anti-democráticas”, pelos senhores que estão no poleiro. Por exemplo, a proibição dos deputados acumularem as funções com empregos no sector privado (91,3%), a necessidade de mudar o sistema de financiamento dos partidos (86,7%), a redução do número de deputados (85,4%), o agravamento das penas para más decisões políticas (85%) e a atribuição de mais poderes aos tribunais para investigarem e acusarem políticos (81,7%).

Mas este sentimento de esgotamento do actual sistema político não é exclusivo de quem partiu, também se sente cada vez mais por cá.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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