quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Já não há heróis?

Na sociedade desvirilizada do actual mundo Ocidental, falar em heróis é quase um tabu. Algo reservado aos romances de aventuras e que não faz sentido nestes tempos imediatos e instantâneos de paz aparente.

Mas se há ensinamento que a História nos trouxe é que o futuro é sempre desconhecido e que a mudança pode precipitar-se quando menos esperamos. Em períodos de crise revelam-se homens superiores, que se destacam pela coragem, pelo exemplo, pela dedicação a uma causa comum.

Para alguns a guerra é uma coisa do passado ou, na melhor das hipóteses, uma realidade televisionada que se passa num lugar distante, mas como portugueses sabemos que há não muito tempo uma geração lutou pela Pátria.

A esse propósito, recordei-me automaticamente de um herói inultrapassável da Guerra de África: Alpoim Calvão. Como escreveu Rui de Azevedo Teixeira, na última edição da revista “Tabu”, Alpoim Calvão foi “o homem que, com Chenier de Giordano, pode afirmar ‘Con la mia voce, ho cantato la Patria’; o homem que, se não ganhou – nem perdeu – a Guerra da Guiné, ganhou a guerra dos mitos e das lendas; o homem que, se falhou nalguma coisa, foi no século; esse homem, um Grande de Portugal que quer as cinzas enterradas na água, lá onde o ‘suave e brando Tejo’ morre, segue o seu caminho de cara ao sol que agoniza no Mar Português.”

Os grandes de Portugal nunca deixaram de marcar a diferença no nosso percurso nacional quando foi necessário. Mas todos os que, como nós, acreditam em Portugal perpetuam uma Nação antiga. Sejamos heróis de Portugal nessa crença. Acreditemos num amanhã melhor, mas pelo qual combatemos, diariamente, com amor pela geração futura, que herdará a lusitana antiga liberdade.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo». 

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