quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

E o povo, pá?

Há muito que as esquerdas, depois do sonho da construção do “homem novo”, se dedicam à construção da “nova família”. Isto significa a destruição do modelo familiar como o conhecemos e com o qual nos identificamos.

A primeira batalha foi a do casamento homossexual, mas era claro desde o início que não se ficaria por aí e adopção viria passo a passo. A actual questão da co-adopção é apenas mais um passo, exactamente com o mesmo objectivo. Basta vermos como o interesse das crianças tem sido secundarizado.

O PSD, apesar de tecnicamente ser considerado da direita parlamentar, esteve mal desde o princípio e a proposta de referendo aprovada no Parlamento devido à imposição da disciplina de voto mostra bem como “o que nasce torto tarde ou nunca se endireita”.

Mas é curioso ver como os bem-pensantes da esquerda, que tanto gostam de falar no povo e na democracia, mostram a sua verdadeira face ao recusarem que a questão seja decidida pelos portugueses nas urnas. É óbvio que temem a derrota e não é difícil imaginar que, caso esta aconteça, exijam novo referendo como sucedeu com o aborto. Isto porque, para os que se sentem detentores de uma superioridade moral, a vontade popular só interessa quando concorda com o que eles defendem.

Para além destes, há ainda uma dita direita “moderna” que, não querendo ficar para trás nesta corrida do “progresso social” e sempre com receio de ser considerada “retrógrada”, não hesita em mimetizar os seus adversários.

Por fim, a desculpa da crise não deve impedir-nos de contrariar mais este ataque à família. É nestas alturas, em que o foco mediático está voltado para a economia, que as questões sociais fracturantes passam quase por detrás do pano. Não nos deixemos iludir.

O que está em causa não é um pormenor, é uma visão do mundo. É por ela que nos devemos mobilizar.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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