terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Acca Larenzia


Corria o ano de 1978 e em Itália as posições políticas radicalizaram-se até níveis insuportáveis: viviam-se os célebres anos de chumbo. Em Roma, a 7 de Janeiro, um grupo de jovens militantes do Fronte della Gioventù preparava uma distribuição de folhetos quando, à saída de uma reunião na secção de Acca Larenzia do Movimento Sociale Italiano (MSI), foi surpreendido por diversas rajadas de metralhadora. Franco Bigonzetti e Francesco Ciavatta (de 20 e 18 anos, respectivamente) morreram imediatamente. Vicenzo Segneri, alvejado no braço, conseguiu voltar e fechar novamente a porta blindada. À medida que a notícia se espalhou, acorreram à secção numerosos militantes e simpatizantes, assim como polícias e jornalistas. O clima era de consternação e a tensão estava à flor da pele. Por distracção, um jornalista da RAI lançou uma beata no charco de sangue de um dos jovens assassinados. A reacção dos militantes não se fez esperar e a polícia foi forçada a intervir. No meio da confusão, Stefano Recchioni foi atingido na cabeça pelo disparo de um carabiniere e morreu dois dias depois, no hospital. O massacre foi reivindicado pelos Núcleos Armados de Contra-Poder Territorial, em nome do "antifascismo militante", e foram detidas algumas pessoas, mas pouco tempo depois os presumíveis membros do comando responsável acabaram por ser absolvidos por falta de provas.

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