quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

40 anos de “Éléments”


Em Setembro de 1973, Alain de Benoist, Michel Marmin e Jean-Claude Valla lançavam o primeiro número da “Éléments”, revista que seria a voz do Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne (GRECE), fundado por Alain de Benoist em 1964, e uma lufada de ar fresco num período dominado pela esquerda.

É um caso de longevidade impressionante para uma revista de ideias. Centena e meia de edições com “elementos para a civilização europeia”, num combate metapolítico, fazendo aquilo a que o GRECE chamou o “gramscianismo de direita”.

Na década de 70 do século passado, a corrente que ficou conhecida como “Nova Direita”, liderada por Alain de Benoist, tornou-se num importante contraponto à ditadura cultural de esquerda que tudo dominava. Era um movimento jovem, intelectual, inovador na estratégia e nos temas abordados, que conseguiu estremecer o ‘statu quo’ de então.

A influência do GRECE não se restringiu a França e rapidamente se alastrou a vários países europeus, incluindo Portugal. Apesar de Benoist afirmar, em entrevista a «O Diabo» em 2010, que “a Nova Direita nunca foi para ser uma internacional”, reconheceu que “houve manifestações noutros países” e que por isso “foi uma rede: política, cultural e nacional”. De facto, o livro de Alain de Benoist “Vu de droite. Anthologie critique des idées contemporaines”, publicado pela Copernic em 1977 e que ganhou o Grande Prémio do Ensaio da Academia francesa no ano seguinte, foi publicado no nosso país com o título “Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas" pelas Edições Afrodite” em 1981, com prefácio de José Miguel Júdice. Também a excelente revista de combate cultural “Futuro Presente”, onde encontramos nomes como Jaime Nogueira Pinto, António Marques Bessa, Nuno Rogeiro, Vítor Luís Rodrigues, Miguel Freitas da Costa, entre tantos outros.

Neste número especial de aniversário, com 96 páginas, o destaque vai naturalmente para o ‘dossier’ que revela os arquivos da revista, com vários textos escolhidos, incluindo a participação de figuras de relevo como: Eric Rohmer, Raoul Girardet, Mircea Eliade, Jean Cau, Peter Handke, Alexandre Zinoviev, Jean Anouilh, Henri Vincenot, Claude Imbert, Jean-Marie Domenach, ou Jean Raspail. Mas não há apenas um exercício de memória, pois no ‘dossier’ intitulado “Combate das ideias” encontramos vários artigos que reflectem sobre a actualidade, abordando os mais diversos temas.

Quarenta anos depois, esta continua uma revista aberta a todos os que reflectem sobre um renascimento da civilização europeia na era da mundialização.

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