quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Um glossário da gíria política

Se alguém falar em “Paulinho da Feiras” ou em “Orçamento Limiano”, será fácil a quem acompanha a política nacional perceber do que se está a falar. Mas há muito mais expressões do género – um verdadeiro jargão que escapa a muitos de nós. O jornalista João Pombeiro, decidiu fazer um “ABC da Política Portuguesa” para ajudar a perceber os nossos políticos.


O que quer dizer “animal feroz” segundo a política portuguesa? E qual a verdadeira definição de “bolo-rei”, de “cherne”, de “coiso”, de “irrevogável”...? O que significam, ao certo, “Coreia do Norte”, “Cristo”, “D. Constança”, “estilo Rambo”, “incubadora”, “má moeda”, “ministro-bebé”...? Como devemos entender dizeres enigmáticos como “novo homem português”, “oásis”, “onda laranja”, “Rato Mickey”, “rodagem”, “tanga”, “táxi” e “truca-truca”...? E quem falou em “bombeiro da aflição alheia”? Ou mesmo em “Sissi de Sintra”? É com estas interrogações que a editora Oficina do Livro nos desperta a curiosidade para este livro útil e divertido.

Aparentemente, esta obra é apenas uma brincadeira que nos explica e recorda expressões proferidas pelos nossos políticos do pós-25 de Abril e que ganharam um novo significado. Apesar do inegável aspecto cómico, é um trabalho importante, porque muitas das entradas deste glossário são desconhecidas de muita gente e outras quase caíram no esquecimento.

Para além das mais de 500 expressões e termos que foram agitando as águas do debate político no nosso país e que se tornaram parte de uma linguagem própria, o livro é ainda ilustrado com várias fotografias de momentos memoráveis: Marcelo Rebelo de Sousa a nadar nas águas do Tejo, Álvaro Cunhal de bifana na mão, Ferro Rodrigues a dançar o vira, José Sócrates a detonar a implosão das torres de Tróia, entre tantas outras.

Porque sem este lado irónico não é possível perceber a política nacional e os seus protagonistas na totalidade. Como reza o ditado popular, “a brincar, a brincar, um livro que também é muito a sério”.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Na morte de António José de Brito

Portugal é um país onde parece que se descobrem na morte de alguém as virtudes que não reconhecemos em vida. Não será assim com António José de Brito. Em primeiro lugar, há a destacar o seu extraordinário contributo para a Filosofia em Portugal, normalmente esquecido ou secundarizado, até pelos que lhe eram próximos. Como afirmou um grande amigo dele – e meu – “desapareceu o último hegeliano português”.

Os seus inimigos – porque os tinha, tal como tinha muita honra – sempre o atacaram, reduzindo-o à mera classificação de “fascista”. O insulto, no entanto, era aceite como um elogio e o tiro passava-lhe ao lado.

Conheci António José de Brito quando tinha catorze anos, num Congresso onde os mais velhos me asseguraram estar perante uma grande referência do nacionalismo português. E foi exactamente pelos livros de doutrina política que comecei a leitura da sua extensa obra.

Nem sempre estive de acordo com as suas opiniões, é certo. Noutro Congresso, mais de uma década passada, uma intervenção minha enfureceu-o. Afastámo-nos, naturalmente, mas sempre com tantos amigos em comum a ligar-nos.

Mais tarde, foi “O Diabo” que nos aproximou, jornal onde voltou a colaborar já durante a minha direcção. Não consigo esconder o orgulho de este ter sido o último reduto que acolheu os seus textos.

O nosso derradeiro encontro foi marcante. Foi num jantar no seu restaurante habitual, no Porto, a sua cidade, com velhos camaradas e um jovem que o conheceu pela primeira vez. Confesso que a sua boa disposição naquela noite me fez esquecer a sua provecta idade e os problemas de saúde que já o afligiam. Era um homem tão intransigente como divertido e é assim que me lembrarei sempre dele. As histórias com que nos deliciou, polvilhadas pela sua ironia e o seu sentido de humor cáustico, valeram valentes gargalhadas. A sua memória prodigiosa mantinha uma exactidão impressionante e lembrava-nos o professor que nunca deixou de ser.

Em meu nome e da Redacção, endereço à família os mais sinceros pêsames. Que descanse em paz.


Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Dia d'O Diabo

domingo, 22 de setembro de 2013

Frase do dia



«O Museu de Aret Popular é um museu, compreende um edifício e um espólio, pelo que tudo quanto não for feito para o mantermos enquanto tal será um atentado ao património e um apagar da memória colectiva.»

Paulo Ferrero
in «Público»

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Lucky Luke e a conquista do Oeste

O Velho Oeste sempre foi um tema que atraiu leitores de todas as idades. O espírito aventureiro dos desbravadores de novas paragens fez as delícias de muitos, em especial dos mais jovens. Na 9.ª Arte, o universo dos ‘cowboys’ é indissociável de Lucky Luke.


Depois do sucesso dos dois álbuns dedicados às personagens de Tintin na História, em boa hora o jornal “Le Point” e a revista “Historia” voltaram ao mesmo formato para dedicar, desta vez, um álbum a Lucky Luke, “o ‘cowboy’ que dispara mais rápido do que a própria sombra”. Um herói da banda desenhada franco-belga, que preencheu o nosso imaginário juvenil e que vendeu trezentos milhões de álbuns em todo o mundo.

Nascido em 1946 do talento de Morris, de seu nome verdadeiro Maurice De Bevere, foi com o encontro com Goscinny, em 1954, que tornou Lucky Luke na figura de referência que hoje conhecemos. Muito importante nessa alteração foi a inspiração na História da conquista do Oeste americano. Mas não se exija nas histórias de Lucky Luke uma preocupação com o rigor histórico, o mais importante é antes o código do Oeste, os cenários e os temas.

“Les Personnages de Lucky Luke… et la véritable histoire de la conquête de l’Ouest” (cartonado, 128 páginas, 10,90 euros), à venda nas bancas nacionais, trata onze álbuns: “Carris na Pradaria”, “Lucky Luke contra Joss Jamom”, “Os primos Dalton”, “Corrida para Oklahoma”, “Billythe Kid”, “Arame Farpado na Pradaria”, “Calamity Jane”, “A diligência”, “Jesse James” e “Mã Dalton”. A escolha destes volumes prende-se com o que os autores consideram momentos-chave da História da conquista do Oeste americano, da construção do caminho-de-ferro, aos famosos bandidos, à Guerra da Secessão, ou ainda às diligências e as mulheres no Oeste.

Para além da óptima concepção gráfica, é de salientar a forma inteligente, cuidada e atractiva como se conjuga a História séria com o divertimento da banda desenhada.

O álbum inclui ainda um artigo sobre Lucky Luke, considerado “uma arma de distracção maciça”, outro sobre o nosso ‘cowboy’ solitário e o seu cavalo Jolly Jumper e um mapa dos Estados Unidos da América naquele tempo. Por fim, os interessados em aprofundar os temas tratados podem recorrer às duas breves bibliografias, uma com obras sobre os momentos históricos referidos e outra sobre o mundo de Lucky Luke.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Frases do dia


«Querem fazer-nos uma lavagem ao cérebro. A mim não.»

António Marques Bessa
in «O Diabo»


«Aconselho vivamente os oficiais e sargentos do quadro permanente a tornarem-se historiadores. Só aí terão futuro. Pois, a continuar a actual senda, da instituição militar portuguesa irá restar apenas uma (vaga) lembrança.»

Brandão Ferreira
in «Público»


«Quando, ao fim de anos de pesadelo, o PS ainda se mostra incapaz de chegar a uma maioria absoluta e o PCP e o Bloco não descolam dos seus nichos eleitorais, eu diria que se calhar era altura de a oposição se questionar sobre o que raio tem andado a fazer.»

João Miguel Tavares
in «Público»


«Grande parte das alienações que se vulgarizam tocam nas raízes das comunidades e, portanto, na sua identidade. Nas crises brutais por que Portugal passou nestes já longos séculos, foi a segurança da identidade da sociedade civil que permitiu reconstruir um novo futuro. Não é possível consentir que se afectem as raízes para obedecer ao credo do mercado.»

Adriano Moreira
in «Diário de Notícias»

Populares


Há gralhas divertidas. Ontem, no «Público», numa notícia dedicada à "ascensão da extrema-direita" francesa, o jornalista trocou "Frente Nacional" por "Frente Popular" duas vezes. Um regresso acidental à França do século passado e à coligação de esquerda que governou o país entre 1936 e 1939. Um 'front' ligeiramente diferente do de Marine Le Pen... Para além disso, escreveu que "Le Pen espera eleger para cargos municipais entre mil e 1500 populares". Talvez o erro tenha sido induzido pela grande popularidade que a Frente Nacional goza actualmente, para incómodo de muitos.

Dia d'O Diabo

Arranha-tectos


Uma das consequências da falta de espaço nas estantes é o aparecimento de uma verdadeira Manhattan de livros em minha casa. As pilhas multiplicam-se e crescem.São os meus arranha-tectos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Too much...

Jack London, por Hugo Pratt.

«Too much is written by the men who can't write about the men who do write.»

Jack London

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Venenos


A manchete da edição de hoje do jornal francês «Libération» é “O veneno FN”, para anunciar a nova estratégia autárquica do Front National, de implantação local, cujo primeiro caso prático serão as eleições municipais de 2014.

Ainda bem que em França não há a obrigação legal de dar igual destaque a todas as candidaturas. Caso contrário, teriam que falar dos outros “venenos” e em capa.

Frase do dia

«A intervenção “cirúrgica” que Obama prometeu foi felizmente comprometida pela inabilidade dele e por causa de uma coisa de que já ninguém se lembrava, excepto para a desprezar: a opinião pública.»

Vasco Pulido Valente
in “Público”

A reviravolta síria

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A nossa casa


«A beleza fundamental do aspecto exterior duma casa está nas suas proporções; estas, porém, não se estabelecem por meio de tabelas; é indispensável uma educação especial do sentido da vista para se poder proporcionar com harmonia e nobreza. No entanto, dum modo geral se pode afirmar que está actualmente incutido entre nós um gosto desnatural, uma noção falsa de elegância, a qual se julga ser exclusivamente atributo das coisas altas e estreitas; como se vãos, pilastras, painéis, esteios, — tudo tivesse para ser elegante. É um vício de sentimento cuja origem facilmente se descobre. É que desde que há decadência do sentimento artístico, todas as vezes que se pretende fazer obra imponente, antolha-se-nos grandeza das coisas passadas; quando há compreensão grosseira da arquitectura, julga-se ganhar imponência pelo simples aumento das dimensões.»

Raul Lino

“Tenho direito”

O editorial da semana passada, sobre os chamados “direitos adquiridos”, mereceu alguns comentários e críticas. No entanto, regresso ao tema porque o essencial, como então afirmei, era a atitude.

A este propósito, lembrei-me de uma excelente crónica de Arturo Pérez-Reverte, intitulada “A loja do meu amigo”, que exemplifica perfeitamente a situação actual, onde tantos optam pela passividade, encostados a “direitos”. Resumindo, Pérez-Reverte foi a uma loja no centro da cidade e falou com o proprietário, seu amigo, que se queixou da falta de clientes. Um dos efeitos da crise, que afecta o pequeno comércio. Mas o escritor espanhol fez algumas perguntas incómodas. Porque não abria ele o estabelecimento ao sábado à tarde, quando há mais movimento na rua? Porque tem “direito” ao descanso, respondeu-lhe indignado o amigo. Mas Pérez-Reverte não se ficou e perguntou porque não punha o filho, recém-formado e desempregado, a abrir a loja? Não podia, porque o filho “não gosta” desse trabalho. Ou seja, tem “direito” a esperar por um emprego de sonho.

Os autoproclamados “direitos” são, na maior parte das vezes, desculpas para não fazer. Como escreveu Pérez-Reverte: “Uma pessoa tem direito a tudo, naturalmente. Mas apenas quando se pode permiti-lo”. Tal como reza o ditado português, “quem não tem dinheiro, não tem vícios”. Quer isto dizer que todos têm “direito” a uma vida de facilidades, mas nem todos a podem ter.

Voltando à atitude, o escritor espanhol tocou na ferida, quando disse ao amigo: “Se esta crise infame tivesse estalado no tempo dos nossos pais, essa sim uma geração lúcida, sacrificada e admirável, eles não demorariam a mandar-nos trabalhar para a peixaria da esquina para trazer dinheiro para casa.”

Um exemplo do passado que muitos confortavelmente preferem ignorar, agarrando-se a “direitos”. Uma atitude que, aparentemente, só a necessidade extrema alterará. Já não falta muito...

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Ortograficamente correcto

Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico”, da autoria do jornalista Pedro Correia, é mais um volume da excelente colecção “politicamente incorrecta” publicada pela Guerra & Paz. Desta vez, o tema é o malfadado Acordo Ortográfico, cujos efeitos nefastos se agravam a cada dia que passa.



Em entrevista a “O Diabo”, aquando da saída do livro, Pedro Correia explicou que o que o levou a escrevê-lo foi “a necessidade, que eu próprio senti, de enquadrar, contextualizar e de algum modo historiar toda a questão. Numa linguagem clara e acessível, sem linguajar académico nem aparentar uma erudição que aliás me falta pois não sou especialista no tema. Procurei informar-me, esclarecer-me, ler tudo quanto havia sido publicado sobre a matéria, e a partir daí dirigir-me ao cidadão comum que é confrontado com regras que lhe estão a ser impostas, enquanto utente da língua, e não faz ideia como tudo isto surgiu”. O objectivo foi plenamente atingido.

Esta é uma síntese essencial para perceber o que está em causa com o Acordo Ortográfico, sobre o qual tantos falam e poucos sabem realmente do que estão a falar.

Como os estragos provocados por esta decisão política feita nas costas dos portugueses se alastram ao outro lado do Atlântico, João Pereira Coutinho, na sua coluna na «Folha de S. Paulo», uma coluna, certeiramente intitulada “O aborto ortográfico”, onde refere este livro. O colunista português chama a atenção dos editores brasileiros para este livro “imperdível”. Segundo ele, é “imperdível porque Pedro Correia narra, com estilo intocável e humor que baste, como foi possível parir semelhante aberração”. Nem mais!

Um excelente livro, de leitura obrigatória, para perceber como o famigerado Acordo está a destruir a nossa ortografia e como podemos e devemos contrariá-lo.

Pedro Correia afirmou que “ainda vamos a tempo de inverter os estragos do Acordo Ortográfico. Basta haver vontade política”. Mas não se fica pelas palavras, no final do seu livro, apresenta um plano de acção para o efeito. Haja vontade de o seguir!

"Muitos inimigos, muita honra"

Na última edição do «Sol», Jaime Nogueira Pinto escreve sobre "os bons e os maus", a propósito da auto-atribuída superioridade moral da esquerda.

Diz ele: "Tenho alguma experiência dos tempos de faculdade, quando fazia parte de uma minoria resistente frente às maiorias associativas. Nessa altura de ‘muitos inimigos, muita honra’ não me incomodava e até achava estimulante. Hoje continua a não me incomodar, mas já não lhe acho tanta graça, até pela pobreza de espírito que revela.

É sabido que há causas ‘boas’ servidas por gente ‘má’ e gente ‘boa’ ao serviço de causas ‘más’, e que os nossos não são necessariamente bons nem os outros necessariamente maus. Mas alguma esquerda, por cinismo, fanatismo ou burrice (também há burros do lado de lá, graças a Deus) persiste nesta obsessão maniqueísta. Para eles, há ideias intrinsecamente perversas (todas as que não vêm na cartilha), e os que as perfilham – nacionalistas, conservadores, liberais – são inevitavelmente indivíduos tacanhos e de má rês, exploradores perversos e desumanos.

De onde vem este complexo, este demónio da rectidão da esquerda façanha? De Rousseau e da vontade geral, ou de Robespierre, o da virtude pela guilhotina? Imitam Lenine e os bolcheviques, ou Estaline e os cúmplices que exterminou? Inspiram-se nos anarquistas e comunistas espanhóis que mataram sete mil padres ou, mais recentemente, nos maoístas e Khmers Vermelhos? Toda esta gente proibiu, encarcerou, matou, massacrou, fez campos de concentração, sempre em nome de grandes e nobres princípios, da mesma compaixão e solidariedade, que, segundo agora dizem, faltavam a António Borges.

Estes intelectuais e articulistas não mataram nem matam ninguém, mas eles e os seus homólogos europeus foram celebrando à distância, do alto do cachimbo e da eterna camisa à pescador, essas grandes vitórias da humanidade.

Só discordo de João Miguel Tavares quando diz que tudo isto é falta de democracia: os ‘democratas’ portugueses sempre entenderam, desde a Primeira República, a democracia como o governo dos democratas. E democratas, para eles, são eles, os antifascistas. Só eles e mais nenhuns."

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Direitos adquiridos

A guerra a que assistimos entre o Governo e o Tribunal Constitucional está para durar. Mas, para além das questões concretas que estão a ser discutidas, há uma questão de fundo – de atitude – que devemos ter em conta.

Não caindo no excesso da direita liberal, que vê o Estado e os funcionários públicos como inimigos, há que denunciar a perigosa utopia das esquerdas que se agarra aos chamados “direitos adquiridos”.

É óbvio que ninguém gosta de ver piorar as suas condições laborais, mas sejamos honestos: o mero facto de a elas termos direito não significa que se mantenham. Tais direitos existem para nos dar segurança, mas não nos podemos encostar a eles, convencidos de que nada se irá alterar. É claro que devemos lutar por eles, mas não podemos considerar que estes valem por si. Uma empresa falida e sem património nunca poderá pagar aos seus funcionários, por muito que estes tenham direito ao seu salário. É um caso extremo, mas demonstra bem como há situações que nos obrigam a mudar de atitude.

Em tempos de crise, como os que vivemos, há sempre os que se aproveitam para prejudicar os trabalhadores e aumentar o seu lucro – tanto no sector público, como no privado –, da mesma maneira que surgem aqueles que tudo prometem em nome da sagrada Constituição. São as duas faces do mesmo problema e a elas devemos estar atentos, não nos deixando enganar. O futuro depende de nós e uma atitude passiva não o tornará melhor. Lutemos pelo trabalho digno, sim, mas sem ilusões. As mudanças que nos esperam adivinham-se drásticas. Devemos estar preparados. Direitos adquiridos não são garantidos.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O homem que criou as Femen


Projectado no Festival de Cinema de Veneza, o documentário “Ukraine is not a Brothel” [A Ucrânia não é um bordel], realizado pela australiana Kitty Green, que conta a história das Femen, mostra que este grupo de activistas feministas foi criado por Victor Svyatski. Para além da ironia de ter um homem como fundador e eminência parda, é ainda mais curioso saber o que Svyatski, que escolhia as raparigas mais bonitas porque “vendem mais jornais”, diz sobre as militantes do seu grupo.

No filme afirma, por exemplo: “Estas raparigas são fracas. Não têm força de carácter. Nem sequer têm o desejo de ser fortes. Pelo contrário, mostram-se submissas, sem espinha dorsal, não são pontuais e muitos outros factores que as impedem de se tornar activistas políticas.”

A 'rentrée'


A Agence France Presse (AFP) decidiu retirar esta fotografia de François Hollande das imagens que fornece à imprensa. Segundo a AFP, tratou-se de uma decisão puramente editorial, alheia a qualquer exigência ou influência do Eliseu. Seja como for, a fotografia está a fazer furor e a ser intensamente partilhada na internet.

A nossa corrida


“O importante é cada um identificar-se completamente com a sua própria corrida, mesmo quando não se consegue descobrir um luminoso final.”

Robert Brasillach
in “Como o Tempo Passa...”

Huntington revisitado


Na última edição do «Sol», Jaime Nogueira Pinto revisitou Fukuyama, a propósito do "fim da História", que afinal não aconteceu. Para ele, "os recentes acontecimentos no Egipto vieram confirmar a ilusão e fracasso da ‘Primavera Árabe’ como sinónimo de modernização e viragem democrática". Como não podia deixar de ser, revisitou também Huntington: "Os cépticos anti-Fukuyama, como S.P. Huntington, sempre insistiram em que as democracias constitucionais funcionariam basicamente naqueles espaços que eram cristãos e tinham tido uma experiência constitucional no século XIX e criado uma sociedade civil, como era o caso da Europa e das Américas. Os factos parecem voltar a dar-lhes razão."

A insuportável arrogância da esquerda

O título deste post é o do artigo de M. Fátima Bonifácio, publicado na edição de hoje do «Público». Escrito a propósito das reacções da esquerda à morte de António Borges, caracteriza muito bem os "donos da verdade" cá do burgo. Segundo esta historiadora, "a Esquerda sempre teve dois pesos e duas medidas. Um dos postulados capitais, basilares do comunismo sempre foi, e continua a ser, o de que a moral deles é diferente e superior à dos outros. Defendem os pobrezinhos, pugnam pela igualdade dos homens, prometem construir sociedades em que cada um receba o que precisa independentemente do que merece, almejam a felicidade e o bem-estar universais. O Bem está do lado deles. Por isso mesmo — e atente-se na perversão contida neste (aparente) paradoxo — podem perpetrar o Mal à vontade, sem limites nem escrúpulos de qualquer ordem. Trotski, como aliás Lenine e sobretudo Estaline, foram explícitos a este respeito: os comunistas podem sequestrar crianças, matar pais e filhos e avós, dizimar populações inteiras à custa de fomes deliberadamente provocadas, prender, torturar, executar e deportar milhões de pessoas, perseguir ciganos, judeus e homossexuais, sem que por isso percam uns minutos a vasculhar qualquer culpa albergada nalguma prega recôndita da sua massa encefálica, ou sem que ao menos lhes ocorra proceder a um exame, ainda que perfunctório, das suas consciências. Sempre estiveram e continuam perfeitamente tranquilas, apesar dos crimes inqualificáveis que cometeram. Sempre me repugnou a condescendência generalizada — sim, generalizada à esquerda e à direita — de que os comunistas beneficiam e sempre beneficiaram".

Por isso, no nosso país, o comportamento não é diferente. M. Fátima Bonifácio escreve: "Nunca os comunistas portugueses admitiram qualquer erro ou crime e ainda menos qualquer culpa. Nunca se demarcaram do estalinismo — nunca fizeram a mais leve autocrítica — e, para meu espanto e de muitas pessoas, acham-se os verdadeiros democratas e lutadores pela liberdade. Esta arrogância moral brada aos céus."

E o Bloco de Esquerda? Diz a historiadora que não se detém "no Bloco para não gastar espaço com minudências". Aliás, porque a "Esquerda socialista e não alinhada não renega as suas remotas origens, como um filho não renega um pai alcoólico ou ladrão".

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O adeus de um Mestre



Hayao Miyazaki apresentou em Veneza o seu último filme, "Kaze Tachinu" [O Vento Levanta-se], uma biografia ficcionada de Jiro Horikoshi, designer do Mitsubishi A6M Zero, o principal caça da marinha japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. O presidente dos estúdios Ghibli afirmou que o realizador vai reformar-se e que dará uma conferência de imprensa em breve, em Tóquio.

Dia d'O Diabo