sexta-feira, 26 de julho de 2013

Panorama actual no Méridien Zéro


Hoje, às 20 horas portuguesas, será transmitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, que fará um panorama da actualidade na última emissão antes das férias.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Teatro de sombras

As comunicações do Presidente da República são um óptimo reflexo do Portugal de hoje. A indecisão, a falta de confiança e o triste esforço na manutenção de uma situação de submissão caracterizam o sentimento generalizado dos portugueses.

Um discurso é sempre passível de múltiplas interpretações, mas Cavaco Silva parece ter-se esmerado recentemente em deixar uma expectativa permanente pela incompreensão das suas palavras.

As interrogações continuam, enquanto o País se afunda gradualmente. Lendo da esquerda para a direita o panorama partidário, percebemos como há dois partidos que continuam a insistir em discursos estafados e em pretensas soluções utópicas em que nem eles acreditam. Continuando, vemos como os socialistas e o seu líder – se é que ele pode ser assim chamado – estão verdadeiramente atolados e não sabem como ser contra a ‘troika’ e a favor dela ao mesmo tempo. Todos estes partidos não conseguem também explicar porque é que sujeitar o País a eleições antecipadas mudaria o que quer que fosse. Já no PSD, Passos Coelho sabe que tem uma fatia considerável do seu partido à espera da oportunidade para lhe puxar o tapete e os seus melhores trunfos são a oposição desastrosa e a manutenção do Governo, custe o que custar. Os centristas, muitos ainda estupefactos com a demissão do seu líder de ministro, sabem que o futuro não será fácil e aguardam que o seu partido consiga ganhar protagonismo na coligação, para cantar vitória, mesmo que por pouco tempo.

Em política nada do que parece é? Assistimos na cena nacional a um teatro de sombras. A uma ilusão na qual os verdadeiros objectivos estão atrás da tela. O que vemos são ilusões. Não nos deixemos enganar. O País continua em suspenso. Por quanto tempo? E a que preço?

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

De volta!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Os escritores de 14


Os números especiais da revista “Le Figaro” são habitualmente de elevada qualidade e interesse. O mais recente não foge a esta regra e tem por tema os escritores da Primeira Guerra Mundial. É uma edição estupenda, onde encontramos Jünger, Céline, Péguy, Cendrars, Barrès, Apollinaire, Giono, Proust, Bernanos, Rolland, Châteaubriant, Genevoix, Cocteau, Kipling, Chesterton, Drieu La Rochelle, Remarque, Kessel, Hemingway, D’Annunzio, entre outros. A não perder!

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Autocarros

Graças ao Bic Laranja, revi dois dos autocarros que paravam à porta de minha casa durante a minha infância. Eram as carreiras 20 e 55. As fotografias são de 1980, quando andava eu na Primária.


O 20 era o que eu utilizava mais, sem bem que o fascínio dos dois pisos do 55 nunca me passou.


A propósito destes autocarros "à inglesa", recordo-me de uma entrevista que fiz com um diplomata que me disse, seguro do que estava a dizer:

— O senhor não se lembra, porque é muito novo, mas em Portugal havia autocarros ingleses, com dois pisos.

Ao que eu respondi, com um ricto:

— Obrigado pelo elogio, mas lembro-me perfeitamente. Um deles parava à minha porta.

sábado, 20 de julho de 2013

I still can’t sleep


“Twelve hours of work and I still can’t sleep. Damn. Days go on and on. They don't end.”

Travis Bickle

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Bruno Favrit no Méridien Zéro


Hoje, às 20 horas portuguesas, será transmitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, que tem como convidado Bruno Favrit. Recorde-se que, em 2005, a Hugin Editores publicou entre nós a tradução portuguesa do seu livro "A Viagem do Graal".

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Byproducts of a lifestyle obsession


Tyler Durden: Do you know what a duvet is?

Narrator: It's a comforter.

Tyler: It's a blanket. It's a fucking blanket. Now, why do guys like you and me know what a "duvet" is? Is this essential to our survival, in the hunter-gatherer sense of the word? No. What are we then?

Narrator: Consumers...

Tyler: We are the byproducts of a lifestyle obsession. Murder, crime, poverty, these things don't concern me. What concerns me are celebrity magazines, television with 500 channels, some guy's name on my underwear. Rogaine, Viagra, Olestra...

Narrator: Martha Stewart...

Tyler: Fuck Martha Stewart! Martha's polishing the brass on the titanic. It's all going down man! So fuck off with your sofa units, and string green stripe patterns.

Refúgio


As Ilhas Selvagens são um "refúgio para numerosas espécies". Agora, pelos vistos, uma dessas espécies é também a dos presidentes-em-plena-crise-política...

Partidocracia

Não tenhamos ilusões, vivemos numa partidocracia e o actual caos político e a recente guerra no seio da coligação governamental trazem essa realidade ainda mais à vista de todos.

Não é assim de estranhar que os portugueses desconfiem deste sistema onde os partidos detêm o poder. Melhor dizendo, estes partidos digladiam-se pelas migalhas de poder que caíram no chão depois de nos terem transformado num protectorado, sujeito aos ditames externos.

Depois de Jaime Nogueira Pinto ter afirmado que “a classe política destruiu a independência nacional”, José Miguel Júdice disse que “precisávamos de acabar com estes partidos”. A ligação entre estas duas afirmações justifica-se porque é notório que os partidos herdados do 25 de Abril põem os seus interesses à frente do interesse nacional, apesar de tanto o apregoarem convenientemente.

Veja-se o recente discurso do Presidente da República, onde Cavaco Silva diz que “desde que exista, à partida, vontade e espírito de cooperação entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento, e desde que estes coloquem o interesse nacional acima dos seus próprios interesses, não será difícil definir o conteúdo em concreto desse entendimento”. Ou seja, reconhece que os partidos normalmente põem os seus interesses acima do interesse nacional.

Mas, não nos iludamos. De seguida, considerando que “o que está em causa é demasiado grave e demasiado importante”, o Presidente afirmou que “a existência de um compromisso de médio prazo é a solução que melhor serve quer o interesse nacional quer o interesse de todos os partidos, que poderão preparar-se para o próximo ciclo político tendo dado mostras aos Portugueses do seu sentido de responsabilidade”. Ou seja, para tranquilizar os partidos, volta a garantir os interesses destes.

Por fim, Cavaco Silva, ao anunciar eleições antecipadas, deu início à campanha eleitoral. Com esse acto, pôs os partidos a pensar apenas nos próprios interesses.

A partidocracia vigente está viciada à partida. Urge uma refundação.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Interesse nacional

São os que mais falam em “interesse nacional” aqueles que demonstram a maior irresponsabilidade perante o futuro de Portugal. Todos: da esquerda à direita. Dos partidos que assinaram o memorando com a 'troika' aos que sempre tentaram parar o País, acabando (ou começando?) no Presidente da República, convenientemente distante e sem coragem para intervir. Isto é uma palhaçada... cada vez mais triste.

Portugal é hoje assumidamente um protectorado, onde os pequenos líderes locais, apesar de sujeitos aos ditames dos credores externos, não se coíbem de jogos políticos e de poder que custam ao País milhões.

São governantes sem vontade de afirmação nacional, meros negociantes com interesse na manutenção da actual situação para proveito próprio e a curto prazo.

O nosso país não pode ser a prazo. Não pode ser um navio sem rumo, velejando ao sabor de ventos estrangeiros e com velas emprestadas a juros.

É necessário um projecto nacional, que ponha em primeiro lugar o futuro do País e o melhor para os portugueses. Mas como sair deste sistema partidocrático que nos asfixia há anos?

Não há soluções mágicas e imediatas, bem o sabemos. No entanto, não é o actual estado de bloqueio que nos deve impedir de pensar um amanhã diferente.

Uma verdadeira reforma do Estado não pode continuar a assentar no rotativismo partidário vicioso ou no exercício de maquilhagem política que é a constante alteração de ministérios, com todos os custos que essas manobras implicam.

Um sistema diferente só pode nascer de uma crise que faça sentir aos portugueses a necessidade de uma mudança radical. Um tempo em que a vontade popular e as elites se encontrem, decididas numa viragem.

Esse tempo político novo podia ser o nascimento de uma IV República, com uma nova Constituição referendada, que marcasse uma era de real defesa do interesse nacional, que quebrasse as grilhetas do domínio externo. Os pessimistas, como é hábito, garantem que tal não é possível. Mas esse tempo pode estar muito mais próximo do que esperamos.

O actual estado do País leva-nos a pensar que tudo isto é triste... Mas não tem que ser o nosso fado.

in «O Diabo», de 9/7/2013.

domingo, 14 de julho de 2013

António da Cruz Rodrigues (1928 - 2013)

Este fim-de-semana tive a notícia da morte de António da Cruz Rodrigues, que conheci antes de se tornar o primeiro presidente do PNR. Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa (actual ISEG) e em História pela Universidade Clássica de Lisboa, esteve ligado à criação do Círculo de Estudos Sociais Vector, em 1970, foi um dos fundadores da Universidade Livre e director da revista "Resistência". Na década de 90 do século passado, Cruz Rodrigues dirigiu a editora Nova Arrancada e o movimento Aliança Nacional. Foi eleito presidente da Comissão Política Nacional do PNR na 1.ª Convenção, em Abril de 2000, cargo que exerceu durante dois anos.

Durante esse período tivemos as nossas divergências políticas e de âmbito partidário, mas nunca pessoais. Era um homem que amava a Pátria e que desejava um futuro melhor para Portugal. Avançou quando outros não o fizeram e por essa atitude merece todo o respeito.

Requiescat in pace.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A Batalha pela Europa

Guillaume Faye é um dos maiores pensadores da direita radical francesa e europeia e provavelmente o mais polémico. Michael O’Meara sintetizou as suas ideias e a sua obra em “Guillaume Faye and the Battle of Europe”, um pequeno livro publicado pela Arktos, que é uma óptima introdução ao pensamento de Faye.



Michael O’Meara é um profundo conhecedor da corrente que ficou conhecida por Nova Direita, que teve Alain de Benoist como figura de proa, das suas evoluções e dos diferentes caminhos que seguiram os seus protagonistas mais influentes. Em 2004, publicou “New Culture, New Right. Anti-liberalism in Postmodern Europe”, obra que, em conjunto com a “Against Democracy and Equality. The European New Right”, do croata Tomislav Sunic, cuja primeira edição foi publicada em 1990 e a segunda em 2004, melhor deu a conhecer ao mundo anglo-saxónico o ideário desta corrente de pensamento identitária.

Guillaume Faye, considerado o “electrão livre” da Nova Direita nos primeiros tempos do Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne (GRECE), cedo demonstrou a sua genialidade, nomeadamente na brilhante obra “Le Système à tuer les peuples”, publicada em 1981. Acabou por afastar-se de Benoist e da Nova Direita, mas nunca deixou de reflectir sobre a situação actual do mundo, em especial no que respeita ao futuro da Europa. Em 1998 publicava “L’Archéofuturisme”, obra que agitou a direita radical francesa e que marcou a afirmação da chamada corrente identitária. De volta a uma considerável influência e inspiração em tantos movimentos políticos, que de França se expandiu para outros países europeus, Faye denunciou de seguida a islamização da Europa, que considerou o maior perigo para a nossa civilização, no livro “La Colonisation de l’Europe. Discours vrai sur l’immigration et l’Islam”, publicado em 2000. A obra teve um impacto tremendo em França e valeu ao autor um prolongado e custoso processo judicial. Mas nada o deteve, já que no ano seguinte escreveu “Porquoi nos combattons. Manifeste de la resistance européenne”, um glossário com as suas ideias para defender a Europa e os europeus. Continuou a publicar obras sobre vários temas até hoje, sempre polémicas, até para a sua suposta área política.

Cheguei a Guillaume Faye através das suas propostas arqueofuturistas, que muito me influenciaram. Li o que havia publicado anteriormente e nunca deixei de acompanhá-lo, mesmo quando discordava de algumas das suas posições. Conheci-o em Paris e trouxe-o a Lisboa em 2006 para uma conferência. Mesmo quando se afastou de alguns amigos que temos em comum não deixei de falar com ele e saber que novos projectos tinha. Faye é naturalmente inesperado. Como O’Meara tão bem atesta no seu livro, Faye pode desiludir-nos num livro e surpreender-nos no seguinte.

O mundo anglo-saxónico descobriu a obra de Guillaume Faye tardiamente. O’Meara tem sido talvez o maior divulgador deste pensador francês e a editora Arktos publicou a partir de 2010 traduções de três das suas obras fundamentais.

Mas não se pense que O’Meara é um mero repetidor de Faye. Pelo contrário, na excelente Introdução de “Guillaume Faye and the Battle of Europe”, apesar de reconhecer a sua genialidade, é crítico em relação a algumas das suas posições fundamentais. Há quatro problemas principais para O’Meara na visão de Faye. O primeiro é a ênfase dada no arqueofuturismo ao aspecto futurístico em detrimento do arcaico, o segundo é a identificação do Islão como principal inimigo da Europa e não o mundialismo americanista que possibilita a islamização da Europa, o terceiro é ver no sionismo israelita um aliado contra o Islão, algo que o descredibilizou em vários meios, por fim, o quarto problema é o paganismo anti-cristão que Faye herdou dos tempos do GRECE.

Não vou aqui tecer as minhas críticas ao pensamento de Faye nem às posições de O’Meara. São ideias para reflectirmos e construirmos o nosso caminho.

“Guillaume Faye and the Battle of Europe” compila ensaios sobre as ideias de Faye, recensões sobre os seus livros e traduções de textos seus que Michael O’Meara publicou em vários sítios ao longo da última década, organizados por ordem cronológica.

O título define bem a obra, chamando a atenção para o facto de a Europa estar em guerra e não o saber. Perante a invasão do Sul globalizado e sob o domínio norte-americano trava uma luta pela sobrevivência que só será possível com a mobilização revolucionária de uma resistência. Como afirma O’Meara, Guillaume Faye é a Cassandra que avisa os europeus da sua extinção e da necessidade de se prepararem para a Batalha da Europa.

Numa altura em que as gerações mais jovens em Portugal compreendem melhor o inglês que o francês, este livro pode ser um primeiro passo na descoberta das ideias de um pensador essencial para os terríveis desafios que todos, como europeus, enfrentamos.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Boletim Evoliano n.º 6


Esta é uma revista que se dedica à divulgação do pensamento do filósofo italiano Julius Evola em Portugal, publicada pela Legião Vertical. Neste n.º 6, referente ao 1.º quadrimestre de 2013, o tema central é “A Doutrina do Despertar”, mas merecem também destaque os textos sobre Donoso Cortés e “Montanha, desporto e contemplação”. Esta é uma publicação que desempenha um importante trabalho de tradução e divulgação e que se tem mantido activa sem interrupções. É caso para dizer que este boletim “permanece de pé entre as ruínas”.

Plátano n.º 6

É sempre de saudar a existência de revistas culturais locais, especialmente quando divulgam partes do chamado Interior, aquele Porugal sempre tão esquecido. O n.º 6 da “Plátano - Revista de Arte e Cultura de Portalegre”, dirigida pelo nosso Amigo Mário Casa Nova Martins, referente à Primavera deste ano, destaca em capa os “77 anos de histórias do Café Alentejano” e o músico portalegrense Augusto Vintém. No entanto, nas suas 64 páginas, merecem igualmente referência os artigos “Portalegre entre a História e a lenda”, de Mário Casa Nova Martins, e “A origem geográfica dos compradores de cortiças no concelho de Portalegre (1846-1914)”, de Carlos Faísca, nos temas locais, e “Breve reflexão sobre o Príncipe: o passado e o presente”, de Fernando Figueiredo Martinho, e “Representação de Portugal na Literatura portuguesa”, de Martim de Gouveia e Sousa, entre muitos outros. Uma revista a saudar e apoiar.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Jacques Heers, um mestre da Idade Média

No início deste ano, partiu um dos mais brilhantes medievalistas franceses e europeus. Autor de uma quantidade de obras verdadeiramente impressionante, investigador incansável e historiador livre, Jacques Heers (6/7/1924 – 10/1/2013) foi professor em várias universidades e director de Estudos Medievais na Sorbonne. Os seus principais trabalhos abalaram ideias preconcebidas e revelaram uma realidade muito diferente da que ainda hoje é comummente aceite. Regresso a um mestre.

Foi ainda na adolescência, quando devorava aquelas colecções de livros encadernados do Círculo de Leitores que sintetizavam a História da Europa e do mundo, que tive o meu primeiro encontro com Jacques Heers. Ao ler o segundo volume da “História Universal”, dedicado ao Mundo Medieval, publicado em Portugal em 1977, descobri uma Idade Média bastante diferente da que era ensinada na escola e daquela com que me maravilhava nos romances de cavalaria. Foi a chegada a um novo mundo, que me faria desconfiar para sempre da conhecida classificação “Idade das Trevas” e aguçar a minha curiosidade por um período fascinante. Ao longo do meu curso de História e da posterior pós-graduação em Estudos Medievais recorri a Heers por várias vezes. Foi um historiador que muito me marcou, não apenas pelo período apaixonante que tratou, mas também pelo seu estilo independente e pelas suas conclusões de grande mérito para a investigação séria.

Uma carreira brilhante
Formado na Sorbonne, Jacques Heers torna-se professor e, em 1951, investigador do conceituado CNRS. Por indicação de Fernand Braudel, é enviado para Itália para desenvolver a sua tese de doutoramento sobre Génova no século XV, que defende na Sorbonne em 1958. Torna-se assistente de Georges Duby na Faculdade de Letras de Aix-en-Provence e depois é professor em várias universidades, como Argel, Caen, Roeun, Nanterre e na Sorbonne, onde é director de Estudos Medievais.
Foi bastante influenciado por Braudel que o “marcou, apesar de nem sempre subscrever os seus trabalhos”, Yves Renouard, grande especialista na História de Itália, e Duby, que considerou ter tido “um influência inegável” nos seus trabalhos e que sempre o tratou bem, apesar de ambos não partilharem as mesmas opções políticas.

Uma impostura
Publicado em Portugal em 1994, “A Idade Média, um Impostura” é um livro provocador que desfaz os principais mitos normalmente associados a este período histórico. Na Introdução, afirma: “Não raras vezes, as nossas sociedades intelectuais revelam-se abertamente racistas. Não no sentido em que o entendemos habitualmente, quer dizer, condenações ou desprezo pelas civilizações, religiões ou costumes diferentes dos nossos, mas por espantosa propensão para ajuizar mal o seu passado”. É esse mau juízo da Idade Média que Heers rebate nesta obra. Para ele, a Idade Média propriamente dita nunca existiu, já que a divisão do tempo histórico em diferentes períodos cronológicos não passa de uma convenção que não corresponde à realidade. Afirma Heers que “cada sociedade inventa os seus bodes expiatórios, reflexo para justificar fracassos ou desenganos, e sobretudo para alimentar animosidades” e considera que “Idade Média” e “Renascimento” são “palavras inventadas”.
Nesta obra, é também refutado o mito do “Renascimento”, nomeadamente do progresso em relação ao tempo anterior, que foi uma criação de publicistas ao serviço de um príncipe que convinha glorificar.
Mas a lenda da Idade Média como período obscuro, que transformou palavras como “medieval” ou “feudal” em verdadeiros insultos, resulta de uma orquestração levada a cabo pelos revolucionários de 1789 e pelas escolas da História ‘engagée’.
Neste livro, o autor faz “uma contestação da noção de Idade Média em si própria, do seu carácter ambíguo e impreciso, e dos abusos que, com demasiada naturalidade, dela se fazem; e isto, em particular, face a outra entidade abstracta, igualmente vaga e arbitrária: o Renascimento”. Também procede ao “exame do afinco posto na condenação dos ‘tempos feudais’, e dessa literatura, cujos efeitos continuamos a sofrer, que se emprenhou em apresentar o feudalismo a uma luz completamente falsa”. Por fim, faz “a análise de alguns aspectos de sociedade ou de civilização que essa lenda negra e os hábitos entretanto adquiridos ainda hoje apresentam sob uma aparência hedionda, mas a que muitos trabalhos recentes trazem interessantes e surpreendentes correcções”.

História e memória
Numa excelente entrevista concedida a “La Nouvelle Revue d’Histoire” em 2007, Jacques Heers explicou a oposição entre História e memória, a propósito do seu livro “L’Histoire assassinée”, afirmando que “a História e a memória não têm nada de comparável. São mesmo incompatíveis”. Para este historiador é uma questão que toca a situação actual, porque hoje se pensa que fazer memória é fazer História. Como ele explica, “a memória é a celebração ou a recordação do que se passou na vida de um indivíduo ou de uma comunidade. Mas, nesse exercício há apenas uma óptica onde não encontramos qualquer confrontação ou crítica. Ao passo que a História é uma reconstrução artificial e crítica que tem em conta diferentes ópticas”.

A importância das especiarias
Na sua investigação de doutoramento, Heers chegou à conclusão que o comercio de especiarias no Mediterrâneo nos séculos XIV e XV foi sobrevalorizado pelos historiadores. Na verdade, o trigo, o sal e outros produtos tinham muito mais importância que as especiarias, tanto em volume como valor nas trocas. Até Braudel, que sempre evocou a importância das especiarias nas trocas comerciais nesse período, reconheceu o valor científico das conclusões dos trabalhos de Heers.
Sobre a queda de Génova e de Veneza, Heers afirmou, na entrevista citada, que “teria sido provocada pelos portugueses quando estes descobriram a rota marítima das Índias pelo Cabo da Boa Esperança para trazer a melhor preço a pimenta e as especiarias. A pimenta e as especiarias estariam na origem da fortuna de Veneza e de Génova? Não. Génova deve a sua primeira riqueza à guerra e Veneza ao trigo e ao sal”.

O suposto contributo árabe
Outra das questões analisadas por Heers, que ainda hoje suscita polémica, é a da importância dos árabes na transmissão e na redescoberta do pensamento grego na Europa. Para ele, é algo que está sobrevalorizado, já que o ensino do pensamento grego no Ocidente “nunca cessou nas escolas catedrais e depois nas primeiras universidades. Servíamo-nos, então, de traduções latinas dos textos gregos originais que os clérigos e eruditos de Constantinopla haviam guardado e difundido em larga escala. As traduções do grego em língua árabe e do árabe para o latim apareceram relativamente tarde, quando o ensino já estava estabelecido no Ocidente, onde há mais de um século que a Lógica, directamente inspirada em Aristóteles, era reconhecida como uma das sete ‘artes liberais’ do curso universitário”.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Le spleen de Paris


Polémica

O nosso jornal é diferente. É uma das suas características fundamentais, que se baseia na liberdade de expressão e informação, bem como na independência.

O tema central da edição passada era naturalmente polémico, mas nem por isso nos inibimos de o publicar. As reacções à entrevista com o Embaixador Carlos Fernandes sobre Aristides Sousa Mendes foram as mais diversas, tanto laudatórias como condenatórias e por vezes extremadas.

Estamos obviamente abertos a opiniões contrárias, desde que fundamentadas. O que aconteceu em várias das críticas azedas que recebemos – algumas delas insultos verdadeiramente pavlovianos – foi que estas não passaram de meros ataques gratuitos de quem nem se deu ao esforço mínimo de ler o que foi publicado no jornal, muito menos o livro que justificou a entrevista. A esses nada há a dizer a não ser indicar-lhes a leitura. Talvez a seguir mudem de opinião ou sejam capazes de verdadeiras críticas, sempre salutares.

Não é a primeira vez que o tema faz capa no nosso jornal. Retomámo-lo porque não perdeu actualidade e porque o Embaixador Carlos Fernandes, pese embora a sua avançada idade, mantém uma lucidez impressionante e uma vontade e coragem louváveis para desconstruir um mito através de um trabalho sério e devidamente documentado.

«O Diabo» é por natureza um jornal polémico, no sentido de gerar controvérsia para que se chegue à verdade.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Dia d'O Diabo


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Schoendoerffer, o eterno soldado

No dia 14 de Março de 2012, com 83 anos, deixava o mundo dos vivos um dos maiores nomes do cinema francês. Realizador, documentarista, argumentista, escritor, repórter fotográfico, viveu e sentiu a guerra e transmitiu-a como poucos. Esta é uma justa e merecida homenagem a quem nunca esqueceu aqueles que cumpriram o seu dever.



Nascido em 1928 numa família de origem alsaciana, Pierre Schoendoerffer cresceu a ler os grandes romances de aventuras. Com dezanove anos foi marinheiro e esteve embarcado. Quando regressa a Paris sente a atracção pelo cinema, mas este é um mundo onde não é fácil entrar.
Em 1951, alista-se e segue para a Indochina como ‘cameraman’ dos serviços cinematográficos militares franceses e acompanha os seus camaradas de câmara em punho, filmando operações em plena selva. A 18 de Março de 1954 salta de pára-quedas sobre Dien Bien Phu para registar a batalha. É feito prisioneiro e passa vários meses num campo do Viet Minh, as bobines são-lhe confiscadas e nunca as conseguiria recuperar. Sobre essa experiência, da qual raramente falava, afirmou: “Como prisioneiro fui ao fundo da natureza humana”.
A sua experiência directa vai ter uma influência fundamental na forma como transmite a guerra nos seus romances ou como a projecta no grande ecrã, revolucionando o modo de a filmar.

Obra
Schoendoerffer torna-se depois repórter fotográfico de guerra e os seus trabalhos são publicados em grandes revistas como “Paris-Match”, “Time”, ou “Life”. Mas o cinema continua a ser a sua paixão. Em 1956 co-realiza, com Jacques Dupont, o documentário “La Passe du Diable”, com argumento de Joseph Kessel. É o início de uma carreira onde assina cerca de uma vintena de obras, incluindo longas e curtas-metragens e documentários. Em 1967 ganha o Óscar da Academia com “La Section Anderson”, um documentário que filmou acompanhando um pelotão norte-americano na Guerra do Vietname, em 1966, durante o pico dos combates.
Torna-se também escritor e é o autor de meia dúzia de romances, quase todos passados ao cinema. O primeiro, de 1963, “La 317ème section”, será adaptado por ele próprio ao cinema e torna-se um dos seus filmes mais conhecidos. Outro dos seus romances marcantes foi “Le Crabe-Tambour”, escrito em 1976, com o qual venceu o grande prémio da Academia Francesa, também passado ao cinema um ano depois.


“La 317ème section”
Considerado pelo realizador Costa-Gravas – que enquanto presidente da Cinemateca francesa o mandou restaurar para ser projectado no Festival de Cannes em 2010 – como “o melhor filme francês sobre a guerra”, torna-se um testemunho inigualável da Guerra da Indochina.
A história centra-se num episódio dos últimos dias da guerra, a seguir à vitória dos comunistas vietnamitas em Dien Bien Phu. O sub-tenente Torrens (Jacques Perrin) e o ajudante Willsdorff (Bruno Cremer) têm como missão liderar a retirada de um pelotão composto por soldados laocianos pelo meio da selva num percurso de 150 km. Vai ser uma caminhada pelo Inferno, enfrentando emboscadas, o clima, os mosquitos, etc. Neste ambiente de desespero e morte, é a própria natureza humana que está em causa. A hierarquia, a camaradagem e, em especial, a relação entre o veterano Willdorff e o jovem Torrens.
Apesar de se tratar de uma ficção, Schoendoerffer baseia-se na sua experiência pessoal e nos testemunhos da altura. Durante a rodagem, recusa o conforto e impõe aos actores um estilo de vida militar de modo a atingir maior realismo. O resultado é um quase-documentário que filma a guerra e os seus protagonistas sem falsos heroísmos.

La 317ème Section (1965)

“Le Crabe-Tambour”
Neste filme de 1977, Schoendoerffer vai de novo centrar-se na natureza humana, nas interrogações da vida e tudo, claro, num ambiente militar, desta vez a bordo. A história é a de um comandante de um navio a quem é confiado um último comando antes de se retirar. A sua missão é a assistência e vigilância à pesca de fundo na Terra Nova. Mas durante esta viagem, embarca também numa viagem de busca pessoal, através das recordações de um antigo comandante conhecido como Crabe-Tambour, que é uma figura lendária de grande influência em quem o conheceu.
Esta figura é baseada directamente no comandante Pierre Guillaume, também conhecido como Crabe-Tambour, oficial de marinha veterano da Guerra da Indochina e da Argélia, onde participou no chamado “Putsch dos Generais”, em 1961, pelo qual é condenado, para a seguir integrar a OAS.
Pierre Guillaume participa na rodagem do filme como conselheiro técnico e acaba por fazer também figuração.

Le Crabe-Tambour (1977)

Influência
A obra de Pierre Schoendoerffer teve uma influência directa não só numa nova forma de encarar cinematograficamente a guerra, mas em vários filmes bastante conhecidos. O mais famoso de todos é, sem dúvida, a obra-prima de Francis Ford Coppola, “Apocalypse Now”, de 1979, com argumento de John Milius, baseado no livro de Joseph Conrad, “Coração das Trevas”. Coppola filmou originalmente uma cena que ficou conhecida como a da “plantação francesa” e que só entraria na versão “Redux”, em 2001, mas que havia sido tornada conhecida através do documentário sobre a rodagem do filme, “Hearts of Darkness”, em 1991. Essa cena reproduz uma passagem exactamente igual a uma de “La 317ème section”, que é a metáfora do ovo. Perante a questão sobre o futuro daqueles territórios, as personagens partem um ovo com a mão, deixando escorrer a clara e dizendo: “o branco parte e o amarelo fica...” Milius era um grande admirador do romance de Schoendoerffer “Adeus ao Rei” e inspirou-se no livro para certos cenários de “Apocalypse Now” e, em 1989, realizou o filme homónimo baseado nessa obra. Também Oliver Stone se inspirou nos métodos usados por Schoendoerffer para rodar “Platoon”, em 1986.

Apocalypse Now (1979)

Der Sommer

Der Sommer, Caspar David Friedrich (1807)

Pena e espada

Actualmente, vê-se um intelectual como alguém avesso ao exercício físico, afastado do comum dos mortais, imerso nos seus pensamentos e superior aos demais. Por fim, há a ideia generalizada de que se trata de alguém que recusa o envolvimento directo, a violência da acção e, em último caso, a guerra.

Regressemos aos clássicos. Na Grécia Antiga, a filosofia e o saber não estavam desligados do treino físico e militar. A maioria dos intelectuais gregos desse tempo tinha experiência de guerra. Sócrates foi hoplita e participou em pleno menos três batalhas. Ésquilo combateu em Maratona contra os persas. Sófocles foi comandante das forças atenienses na conquista da ilha de Samos, durante a Guerra do Peloponeso. Para além de filósofos, não esqueçamos historiadores como Tucídides ou Xenofonte. Já em Roma, onde muitos outros nomes podiam ser apontados, como o de César, recorde-se o famoso ‘mens sana in corpore sano’, retirado das “Sátiras” de Juvenal. A lista seria infindável, mas não se resume às civilizações clássicas.

De Cervantes, que combateu na Batalha de Lepanto, a D’Annunzio, que marchou sobre Fiume, a História da Europa está repleta de grandes intelectuais que não se negaram ao combate, que não se intimidaram perante as “Tempestades de Aço” que contou e viveu Jünger. Homens que, como o nosso Camões, levavam “numa mão a espada, noutra a pena”.

Da última vez que Portugal chamou, “vestiram-se os poetas de soldados”, como escreveu Rodrigo Emílio. Assim deve ser.

A cómoda atitude daqueles que se refugiam nas nuvens, afastados da sua terra e do seu povo, que não sentem a comunidade e não estão prontos a defendê-la, é pura cobardia, normalmente mal disfarçada de pacifismo.

O pensamento não pode ser algo estéril. Como afirmou Ezra Pound: “a única cultura que reconheço é aquela que se torna acção”.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Borda fora!



A actual situação nacional recorda "a grande porca" de Bordalo Pinheiro. Mas não há timoneiro que a deite borda fora... A nau continua a afundar-se.

Hopper

A capital francesa teve o privilégio de receber uma magnífica exposição retrospectiva do pintor realista norte-americano Edward Hopper (1882-1962). Esteve patente nas Galerias Nacionais Grand Palais desde o dia 10 de Outubro do ano passado até ao dia 3 de Fevereiro deste ano, atingindo o impressionante número de cerca de 785 mil visitantes. Este é o relato de um apaixonado pela sua obra.

Nighthawks (1942)

Cheguei a Hopper na minha adolescência através do seu quadro mais conhecido, “Nighthawks”, de 1942. O enigmático ‘diner’ prendeu prontamente a minha atenção e curiosidade. Quem seriam aquelas “aves nocturnas”? O que as levaria ali? Havia uma atracção naquela solidão misteriosa à qual não resisti. Os anos passaram e fui conhecendo, a pouco e pouco, cada vez mais o trabalho de Hopper. Primeiro com a edição, a um preço convidativo, a ele dedicada, publicada pela Taschen, depois com a facilidade de acesso à informação gerada pela ‘internet’. No entanto, embora já apreciador, só vi pela primeira vez quadros dele expostos numa visita a Madrid, ao Museu Thyssen-Bornemisza, onde me deleitei especialmente com o estupendo “Hotel Room”, de 1931. Recentemente, uma das suas paisagens costeiras, “Square Rock, Ogunquit”, de 1914, esteve em Lisboa, na exposição “As Idades do Mar”, organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Hotel Room (1931)

A notícia da retrospectiva em Paris, ainda por cima com a vinda de “Nighthawks” à Europa – algo que os dedos de uma mão chegam para contar – fez reservar automaticamente uma viagem. Fui em finais de Novembro do ano passado, o tempo estava bastante frio e via-se já a feira de Natal nos Campos Elísios. Chegado à entrada do Grand Palais, fui informado por uma funcionária que o tempo médio de espera, na rua, era de uma hora e meia. Mas nada me podia demover do meu objectivo, nem mesmo a chuva ocasional que acabou por encharcar-me enquanto aguardava pacientemente.

Grand Palais, Paris.

O ambiente no museu era de grande movimento e o público lotava as primeiras salas da enorme exposição, principalmente aquelas onde estavam expostos os quadros que Hopper pintou em Paris, com paisagens locais, numa das poucas deslocações que fez ao estrangeiro, ainda jovem.

Confesso que descurei um pouco essa primeira parte e também as dedicadas à vida durante a Grande Depressão e ao trabalho de Hopper como ilustrador, algo que o próprio não gostava, mas que acabou por ser o seu ganha-pão durante uns tempos. Fui rapidamente ao encontro de “Nighthawks” e a experiência foi única. Não deixou de ser uma sensação estranha ver finalmente um dos meus quadros favoritos, que só conhecia através da imagem; agora, a coisa estava à minha frente. Mas nem este momento único me impediu de apreciar, durante quase um dia, intervalando apenas para almoçar, toda a maravilhosa reunião da obra de um dos pintores que mais aprecio.

Self Portrait (1925-30)

O trabalho de Hopper é completo. Não são apenas a solidão e o realismo que marcam a sua obra impressionante. Outro elemento muito importante é a luz, com os efeitos das sombras, mas também as cores. Para além das pinturas com elementos humanos, este é um artista magistral a representar paisagens, sejam naturais, sejam construídas. É quase como se atingíssemos nestes recortes da vida observada uma realidade mais que real. Esta exposição foi um daqueles momentos que se desejam durante uma vida. Felizmente, por vezes os desejos realizam-se!

Como lágrimas na chuva...


I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched c-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.

Roy Batty

terça-feira, 2 de julho de 2013

Palhaçada


São os que mais falam em "interesse nacional" aqueles que demonstram a maior irresponsabilidade perante o futuro de Portugal. Todos: da esquerda à direita. Dos partidos que assinaram o memorando com a 'troika' aos que sempre tentaram parar o País, acabando (ou começando?) no Presidente da República, convenientemente distante e sem coragem para intervir.

Isto é uma palhaçada... cada vez mais triste.

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Insubmisso radical

Céline (27/5/1894 - 1/7/1961)

«Considerado como o maior escritor francês do século XX, renovador da língua e do estilo, habitado por uma espécie de delírio profético, Louis-Ferdinand Destouches, Céline na literatura, constitui outro exemplo de insubmissão radical.»

Dominique Venner
in "Un samouraï d’Occident. Le Bréviaire des insoumis".