quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Tempos felizes


«Todos conheceis a intratável  melancolia que se apodera de nós ao recordarmos tempos felizes. Estes, porém, pertencem irrevogavelmente ao passado, e deles nos separa a mais impiedosa das distâncias. Todavia, as imagens parecem refulgir ainda mais sedutoras no seu reflexo; pensamos nelas como quem recorda o corpo de uma mulher amada já falecida, que repousa nas profundezas da terra mas que, como uma miragem, com um esplendor mais alto e espiritual, nos assedia e faz estremecer. E nunca nos cansamos de percorrer com os dedos o que passou em sonhos sequiosos, em todos os seus pormenores e circunstâncias. Parece-nos então que não tomámos ainda a medida plena da vida e do amor, mas não há arrependimento que traga de volta a oportunidade perdida. Pudesse este sentimento servir-nos de lição, mesmo em cada instante de felicidade.»

Ernst Jünger
in "Sobre as Falésias de Mármore".

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Finis Mundi no Kindle


Para além da edição impressa, o mais recente número da revista "Finis Mundi", dirigida pelo Flávio Gonçalves, está também disponível para o Kindle, por uns módicos US$3.69 (o que não chega a €3). Destaque para a publicação das actas do "Encontro Pessoa/Cioran", que decorreu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no dia 30 de Novembro de 2011. 

Dia d'O Diabo

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Adriano Scianca no Méridien Zéro


Hoje, às 22 horas portuguesas, será emitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, que recebe Adriano Scianca, autor do livro "Riprendersi Tutto", o corpus doutrinal da CasaPound, traduzido recentemente em francês com o título "CasaPound, une terrible beauté est née !".

"Outra raça"



«Jaime Neves era de outra raça, de uma raça de portugueses para quem Portugal valia mais, muito mais que o regime político.»

Jaime Nogueira Pinto
in «Sol».

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A Veneza de Canaletto

Pude visitar, na capital francesa, uma exposição exclusivamente dedicada às obras venezianas do pintor italiano Canaletto. Esteve patente no Museu Maillol e juntou cinquenta obras, o caderno de esboços e um fac-símile da câmara escura, o instrumento óptico que auxiliava nas suas pinturas.



O Museu Maillol surgiu em 1995 por Dina Vierny, modelo do escultor francês, de origem catalã, Aristide Maillol (1861–1944). Tem uma colecção permanente com vários trabalhos do artista que lhe dá o nome, bem como de outros pintores e escultores. Organiza também várias exposições temporárias, como a dedicada a Canaletto, bem como a do universo Pixi, de Alexis Poliakoff, que exibiu as pequenas figuras de chumbo que reproduzem grande parte dos mais conhecidos heróis da banda desenhada franco-belga, do Tintin ao Astérix, passando pelos Estrumpfes.

Giovanni Antonio Canal (1697–1768), mais conhecido como Canaletto, é o mais célebre dos pintores das ‘vedute’, ou seja das vistas ou paisagens urbanas, venezianas. Desde cedo viu a sua obra reconhecida e conseguiu atingir um estatuto de celebridade considerável. Iniciou a carreira na sua cidade natal, sendo Veneza o tema mais forte da sua produção. Viveu durante um período da sua vida em Inglaterra, onde o cônsul inglês em Veneza, Joseph Smith, o apresentou a ricos clientes. Quando regressa torna-se membro da Academia Veneziana de Pintura e Escultura.

Nesta exposição foi possível ver um número bastante grande de obras, que mostram o evoluir do seu trabalho, todas dedicadas a Veneza, no seu registo de uma quase fotografia artística. Verdadeiras imortalizações de pedaços de uma cidade por quem tantos ainda se apaixonam, com um pormenor impressionante, mas sujeitas ao toque pessoal de Canaletto.

Um dos aspectos que mais nos capta a atenção nas suas pinturas é a luz. Aproveitando a deixa, posso dizer que esta exposição é mais uma luz na “cidade da luz”, que nos permite ver todo o percurso do mestre do ‘vedutismo’ através do seu excepcional legado.

A Madrid de Alatriste



Agora que Alatriste tem uma nova tradução publicada em Portugal, (re)veja-se este documentário. Atente-se à importância do impressionante plano de Madrid do cartógrafo português Pedro Teixeira Albernaz para a reconstituição da capital espanhola no chamado siglo de oro.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Alatriste de volta!


O Capitão Alatriste está de volta ao mercado editorial português com a publicação de "A Ponte dos Assassinos". Infelizmente em "acordês"...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Homenagem

Jaime Neves tinha a fibra dos heróis. Não deixava ninguém indiferente, algo que se pode ver na forma como o seu nome tinha uma força especial. Ainda em vida, atingiu uma dimensão sobre-humana. Gerou paixões e amores, mas também ódios. Quando se ouvem as histórias dele – muitas já mitificadas – percebemos bem que a lenda cedo se começou a criar.

Foi um homem de acção e de posição, determinado e determinante. Nunca é demais recordar a sua importância no dia ao qual ficou para sempre associado – o 25 de Novembro. O seu nome confunde-se mesmo com este momento fulcral da História de Portugal.

Estávamos num perigoso cruzamento histórico e Jaime Neves conseguiu evitar o pior. Um só homem, com a sua vontade e carisma, conseguiu mudar o rumo de um país.

Após a sua morte, a Assembleia da República aprovou um voto de pesar com o apoio de PSD, CDS e PS. Mais à esquerda o voto foi recusado, em especial pelo PCP. Nada a estranhar, já que Jaime Neves foi o travão dos comunistas num período em que era mesmo necessário. A partir de então, passou a ser um símbolo nacional do anti-comunismo.

Nestas coisas dos votos de pesar, algo que devia ser mais ou menos pacífico, porque não implicam necessariamente um elogio, o PCP protagonizou um episódio que o define. Em 2011, enviou as condolências a Kim Jong-Il ao mesmo tempo que se opunha ao voto de pesar pela morte de Vaclav Havel.

Houve quem criticasse esta postura, mas porquê? Como se o PCP tivesse mudado ideologicamente...
A posição do partido agora, tal como a do resto da extrema-esquerda, não choca. Pelo contrário, faz todo o sentido. Faz-nos lembrar que a História recente do País ainda continua bem viva.

Por fim, esta recusa, vinda de onde vem, é a melhor homenagem que Jaime Neves podia ter dos seus inimigos.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Família

A produtora Belén Atienza ia no seu carro a ouvir um programa de rádio sobre o ‘tsunami’ que aconteceu no Oceano Índico em 2004, quando ouviu o impressionante testemunho de María Álvarez-Belón que relatou como a sua família havia conseguido sobreviver às consequências desse desastre natural, enquanto estava de férias na Tailândia. Quando contou a história ao realizador Juan Antonio Bayona, este decidiu que urgia passá-la ao cinema.

Em “O Impossível”, uma família vai passar o Natal num ‘resort’ paradisíaco e vê-se atingida por uma onda gigante inesperada. O que segue é uma verdadeira aventura de sobrevivência, mas sobretudo de amor. A separação, a incerteza da morte dos mais queridos, os ferimentos físicos e todas as dificuldades inerentes a uma terra devastada não vão abalar a esperança e a determinação do casal e dos seus três filhos.

Muitos críticos acusaram o filme de ser um exercício lacrimogéneo, mas María Álvarez-Belón considerou-o, pelo contrário, “valente e nada sentimentalóide”, para além de fazer uma reconstituição fiel do que aconteceu. Esse realismo foi também confirmado por outros sobreviventes.

Visualmente, esta longa-metragem está muito bem feita, tendo as cenas mais espectaculares sido filmadas nos estúdios da Ciudad de la Luz, perto de Alicante.

Diga-se que esta é uma grande produção espanhola, onde a opção por actores ingleses parece justificar-se com a, bem sucedida, entrada no mercado internacional.

A história é conhecida e previsível, trazida por um argumento sem profundidade, algo que também acontece com as personagens. Nos desempenhos, destaque-se a actuação de Naomi Watts, que lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Actriz.

Neste filme carregado de emoção, sobressai que só o apego à família consegue o impossível. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]