terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Impressões suíças (V): Uma pastelaria portuguesa, com certeza


Depois de ir até Berna e passar por Lausanne, verificando que, apesar das diferenças entre cantões, com as suas diferentes regras, há um padrão suíço, voltámos a Genebra.

Há uma coisa que não deixamos de reparar – a forte presença portuguesa. Das mercearias com produtos nacionais aos talhos, passando pelos cafés e pelos quiosques, onde é possível encontrar a imprensa cor-de-rosa com as últimas coscuvilhices do ‘jet-set’ português, e até por livrarias portuguesas.

Em Genebra entrámos numa pastelaria que podia ser em qualquer terra portuguesa. A rapariga que nos atendeu era simpática, com o seu sotaque nortenho perguntou-nos se não queríamos pastéis de nata com os cafés. “São feitos por nós, tal como o bolo-rei”, garantiu-nos. Há uma sensação agradável de encontrarmos a nossa terra e a nossa gente noutras paragens – uma ligação inexplicável.

Almoçamos com Miguel Rocha, segurança que está no país há dois anos. Uma sanduíche e uma bebida num sítio de refeições rápidas custa mais de dez euros. Os preços são altíssimos. Para se ter uma ideia, um café num estabelecimento vulgar custa 3,5 francos, cerca de 2,90 euros! É por isso que Miguel diz que “até ganha bem” para os padrões portugueses, mas que tem muitos encargos. Mesmo assim gosta de viver na Suíça e não pensa regressar a Portugal tão cedo. Mas avisa quem quiser ir para lá, que “as coisas não são fáceis”. Segundo ele, é preciso trabalhar muito e cumprir as regras. “Quem não aguenta o primeiro ano, dificilmente volta” e ele próprio diz que só resistiu porque teve ajuda de outros portugueses que conhecia, apesar de não se relacionar muito com a comunidade nacional. “A maioria só fala do Ronaldo e adora vir para a rua festejar as vitórias da selecção de futebol. Não tenho paciência para a bola, prefiro os desportos de Inverno e aqui estou no sítio certo”, desabafa. Mas a visão que os suíços têm dos portugueses é essa? Miguel diz que são vistos como um povo trabalhador, mas que normalmente os associam a profissões consideradas menores, mesmo havendo muitos que subiram na vida.

Nem de propósito, à saída do restaurante cumprimentamos o dono, um turco que casou com uma portuguesa e que nos fala na nossa língua. Ao mesmo tempo, um dos empregados, suíço, diz-nos que esteve uma semana de férias em Lisboa, “a terra de Luís Vaz de Camões”, nas suas palavras. Ficámos pasmados e orgulhosos.

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