sábado, 28 de dezembro de 2013

Impressões suíças (IV): Almoçar no “Restaurant da Luz”

Depois de visitar Gruyères, apreciar a belíssima vila típica coberta de neve, entrar no castelo bem preservado e ir ao Museu H. R. Giger, o artista suíço-alemão conhecido pelos seus desenhos biomecânicos e, principalmente, por ser o criador do monstro de “Alien”, o filme de Ridley Scott, pelo qual recebeu um Óscar, vamos Bulle.

Nesta pequena localidade, onde vivem muitos portugueses, espera-nos um almoço no “Restaurant da Luz”. Fica mesmo ao lado da Casa do Benfica, local com óptimas instalações onde se reúne a comunidade portuguesa. Entramos e cumprimentam-nos em português. O café, a cerveja, o vinho, entre outros são de marcas nacionais. Na parede há um quadro com a imagem do estádio que dá o nome ao restaurante. A televisão, sintonizada num canal português, transmite um daqueles habituais programas da manhã que prende a atenção de alguma clientela.

Sentamo-nos à mesa de José António, figura conhecida e reconhecida na terra. É originário de uma aldeia perto da Guarda, mas vive na Suíça há cerca de 20 anos. Diz-nos que as coisas mudaram muito. Tem o seu negócio e a sua família bem estabelecidos, mas tudo o que tem conseguiu com muito trabalho. “Aqui é assim”, constata. Para além dos afazeres profissionais, é conhecido por ajudar muitos portugueses que lá vivem e os que chegam. “Muitos não sabem para onde vêm”, garante-nos. Segundo ele, a vida não está fácil e a crise também vai chegar à Suíça. Conta-nos que muitos portugueses que lá se estabeleceram vingaram na vida, mas sempre com muito esforço, porque “as coisas não caiem do céu”.

Mas há um grupo de que nunca se fala, o dos portugueses que perderam o emprego ou não o conseguem. Alguns vivem das ajudas estatais, mas “os suíços não gostam disso”, diz-nos José António. Aliás, “estão a acabar com isso”, o que o levou a ele e à mulher a pedir a nacionalidade suíça. “É uma garantia e nós sempre contribuímos com os nossos impostos aqui”. Mesmo assim, diz-nos que nunca serão vistos como nacionais, “por causa do nome no passaporte”. Aliás, um apelido português é um entrave para um recém-chegado que queira arranjar casa ou trabalho sem conhecimentos prévios.

A Suíça já não é o que era. O país tem cerca de um quarto de população emigrante e há uma preocupação crescente em recambiar os que não trabalham. “Aconteceu a vários portugueses”, diz-nos. Por isso, aconselha a quem queira ir para lá que conheça alguém que o ajude a estabelecer-se. “Quem quiser vir para viver de subsídios, mais vale ficar em Portugal”, avisa.

Mesmo com a nova conjuntura, diz que ainda é possível ter uma boa vida na Suíça, país ao qual está agradecido e onde criou os filhos, que não tencionam voltar para Portugal.

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