quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Impressões suíças (II): Segurança e controlo


Ouve-se a sirene de um carro da polícia que se aproxima. Avisam-nos que outros se seguirão. Assim aconteceu e por várias vezes. O mínimo incidente, mesmo de tráfego, mobiliza rapidamente um número de agentes que nos parece exagerado. “Tem que ser assim”, dizem-nos, porque é a única forma de garantir a segurança. Parece ser outra obsessão deste país onde há bancos privados que albergam das maiores fortunas do mundo em edifícios discretos.

Os suíços nunca desprezaram a sua defesa e as forças militares estão bem equipadas. Não é raro ver na rua oficiais do exército fardados, a lembrar que o país está pronto para a mobilização, como já aconteceu num passado não tão longínquo.

Outra curiosidade é a existência de abrigos nucleares nos edifícios de habitação e casas particulares. Visitámos um numa vivenda num dos melhores bairros de Genebra. Por debaixo da casa há várias divisões: sala das máquinas, de ferramentas e arrecadações. Mas uma porta blindada salta à vista. É a do bunker que deve albergar a família durante dois dias, até ser retirada para abrigos comuns em caso de ataque nuclear. Parece que a Guerra Fria não terminou por aquelas bandas... Mas a proprietária menoriza o assunto. Diz que tem a sanita química e as reservas de água exigidas pela protecção civil, que já fez a vistoria às instalações. Não acredita na necessidade do espaço e duvida da sua eficácia, mas cumpre as regras.

A Suíça é o país do mundo com maior percentagem de abrigos atómicos per capita. Só em 2006 é que terminou a exigência legal de os construir, sem bem que continua a ser necessário mantê-los. Ao mesmo tempo, quer quiser construí-los hoje beneficia ainda de apoios estatais.

Os suíços são em geral cidadãos cumpridores, mas ao mesmo tempo há uma cultura de fiscalização permanente e cada um é um polícia em potência, que tanto denuncia o automóvel mal estacionado, como o vizinho que não faz a separação do lixo.

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