sábado, 21 de dezembro de 2013

Impressões suíças (I): Genebra


O voo de Paris para Genebra, numa daquelas companhias aéreas low-cost que transformaram as viagens de avião bastante acessíveis, atrasou-se. Suprema ironia para quem se desloca para um país onde a pontualidade é levada ao extremo. Os suíços exigem-na e não toleram atrasos, muito menos desculpas. Para cair no habitual lugar-comum, querem a organização do país e dos negócios a funcionar como um relógio suíço.

A primeira sensação, ao entrar num país europeu onde ainda há controlo de fronteiras e que tem uma moeda própria, não deixa de ser estranha. De alguma forma, faz-nos regressar no tempo...

A temperatura ronda os 0 ºC, o céu está limpo e o Sol brilha em todo o seu esplendor. Para esta altura do ano é um tempo formidável. A neve que caiu derreteu e só se manteve nas montanhas. Genebra não é uma cidade grande. É agradável e percorre-se bem a pé. As ruas são movimentadas e há muitas pequenas lojas. Os centros comerciais são raros na Suíça e não se comparam às sobredimensionadas catedrais do consumo que se multiplicaram em Portugal.

Os edifícios estão bem preservados e nota-se que há uma preocupação extrema com a organização da cidade. O património está bem cuidado e vale a pena ser visitado.

O dia começa cedo e o trânsito é infernal. A culpa é dos frontaliers, dizem-nos. É notória a antipatia pelos franceses que todos os dias atravessam a fronteira para trabalhar no país vizinho onde ainda há emprego e os salários são superiores. “Não gastam cá dinheiro. Nem um café tomam”, desabafa um emigrante português que trabalha na recepção de um dos muitos hotéis que acolhem em especial os turistas financeiros, aqueles que ainda enchem os cofres suíços com depósitos milionários. Para José Luís, que nasceu na zona do Grande Porto, mas que foi para lá com os pais ainda criança, os “franceses não pagam impostos na Suíça e os suíços não gostam disso”. Os frontaliers ocupam cerca de um quarto dos empregos no Cantão de Genebra e, apesar da língua comum, são notados pelos locais. É um dos primeiros sintomas de que talvez os suíços não sejam o povo mais hospitaleiro do mundo.

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