terça-feira, 5 de novembro de 2013

Turquia (XI)

No dia em que Bruxelas e a Turquia iniciam nova ronda de negociações para a adesão deste país à União Europeia, recorde-se o que escreveu Vasco Pulido Valente, um dos poucos comentadores portugueses a demonstrar lucidez relativamente a este perigoso delírio:

Ainda por cima sem dinheiro, a UE, ou uma certa «inteligência» da UE, surpreendentemente persiste em trazer para o «clube» a Turquia asiática e, pior, islâmica. Porquê? Porque a Turquia pertence ao passado da Europa (pertence, de facto, como inimiga); porque a Turquia se tornou secular e democrática (uma coisa mais que duvidosa: o actual Governo, por exemplo, pensa em criminalizar o adultério); porque a Turquia serve de «barreira» ao extremismo árabe (ou talvez também lhe sirva de caminho e ajuda); e porque, enfim, a «Europa» deve mostrar a sua tolerância e não deve aparecer no mundo como um império cristão, rico e xenófobo. Esta mistura de má-fé, megalomania e medo é receita para desfazer a UE ou, pelo menos, para a reduzir a uma forma vácua. Por muito que espante a burocracia da UE e os beatos do costume, a realidade existe e não cabe nos planos deles.

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