quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ressurgimento de Restauração

D. Sebastião, Cristóvão de Morais (1572)

"Um Portugal renunciando às linhas geratrizes que o criaram e lhe deram o modo de ser, um Portugal mudando de alma, de espírito, já não será Portugal. Todos os que subscrevem essa orientação diferente arrastam um suposto corpo da Pátria que de Portugal mantém, apenas, o nome. Mas, para além da demissão e da mascarada, existem os que permanecem fiéis ao mesmo sentido, ao mesmo desígnio, à mesma tessitura de sonho (o prodigioso e, no entanto, autêntico consórcio de saudosismo e sebastianismo que leva aos ressurgimentos de restaurações). Deus quer, o homem sonha, a obra nasce (F. Pessoa). O impossível dos incrédulos tornar-se-à realidade. Como tarefa primordial, porém, há que expurgar do corpo da Pátria aqueles que a negaram. Nesse empreendimento, um papel decisivo cabe aos não conspurcados, aos jovens iniciadores. Afonso Henriques tem 28 anos quando proclama a independência de Portugal. D. Sebastião tem 24 anos, quando morre, valorosamente, a batalhar em Alcácer Kibir, hasteando o acicate de Camões."

Goulart Nogueira
in «Acção», n.º 3.

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