quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Lobos no rebanho

Recentemente, um inquérito Eurobarómetro revelou que os portugueses são dos cidadãos da União Europeia com menores taxas de participação em actividades culturais e que Portugal é o país onde há maior falta de interesse pela leitura.

Apesar de se verificar uma tendência que mostra que os europeus se interessam cada vez menos pela cultura, o nosso país está mais uma vez na cauda...

Os fundos estruturais comunitários permitiram a construção e renovação de muitas bibliotecas públicas, mas a maioria da população preferiu olhar para o lado, ou melhor, olhar para televisão. Os dados referem que apenas 15 por cento dos portugueses visitaram uma biblioteca pública no ano passado. Por outro lado, a televisão é o entretém preferido no nosso país. Apesar de tanta discussão sobre o “serviço público” prestado pela “caixa que mudou o mundo”, avaliando pelo nível a que baixaram os programas mais vistos, dificilmente poderemos considerar que ver televisão é uma actividade cultural.
Voltando à leitura, apenas 40 por cento dos portugueses leram um livro no ano passado e a principal justificação para não ler é a “falta de interesse”.

Ora, mesmo com as preocupações do aperto financeiro actual, a crise não é desculpa. Pelo contrário, é exactamente em alturas de indecisão que devemos estar bem informados, escapar à ofensiva mediática niveladora e fortalecer uma vontade de mudança.

A ignorância cria rebanhos dóceis, facilmente controlados pelos que diariamente delapidam a Pátria. Mas, como escreveu Ernst Jünger, “se as grandes massas fossem tão transparentes, tão bem articuladas nos seus átomos, como o declara a Propaganda, precisar-se-ia tanto de Polícia como um pastor de cães para conduzir o seu rebanho. Não é este o caso, porque há lobos, que se ocultam nos rebanhos cinzentos, quer dizer: naturezas que ainda sabem o que é a liberdade. E estes lobos não são apenas vigorosos em si mesmos, como também pode dar-se o perigo de as suas virtudes, numa bela manhã, se comunicarem às massas, transformando-se então o rebanho em matilha. Isto é o pesadelo dos detentores do poder”. Sejamos lobos.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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