sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Romance de juventude

Numa bela evocação, o Bruno Oliveira Santos escreveu que “se tivesse de eleger o meu romance de juventude, a escolha seria o extraordinário Comme le Temps Passe, de Robert Brasillach”. É, também, um dos meus livros de juventude.

A este propósito, partilho aqui duas histórias minhas. Citei esta obra maravilhosa num editorial de «O Diabo», no ano passado, a propósito da felicidade, e recebi uma mensagem de correio electrónico de um leitor, que muito me tocou. Disse-me ele que a referência lhe tinha despertado a curiosidade para um autor e um livro que não conhecia, o que o fez procurá-lo, conseguindo comprá-lo num alfarrabista. “Este romance da juventude, terno e nostálgico é notável! Estou a lê-lo. Graças a si descobri uma obra que se lê com vivo prazer”, escreveu-me. Que enorme recompensa!

A edição portuguesa de “Como o Tempo Passa...”, publicado pela Ulisseia, tem capa dura e uma sobrecapa colorida. Esta última não acompanhava o exemplar que na minha adolescência comprei num dos alfarrabistas do Bairro Alto, que diariamente frequentava. Recentemente, ao entrar numa dessas lojas que a crise multiplicou, onde se compra e vende tudo, deparei-me com duas estantes repletas de livros. Naquele amontoado de títulos desinteressantes, houve uma lombada que me atraiu. Assim, por 50 cêntimos de euro, comprei um segundo exemplar, satisfeito por ter encontrado a peça que faltava no da minha biblioteca. Mas o percurso deste exemplar não ficou por aqui. No próprio dia, fui a casa de um Amigo e, entre as habituais conversas de livros, contei-lhe a minha descoberta. Ele disse-me que não tinha o livro, nem o tinha lido. Aí, resolvi prontamente situação - descasquei o livro, retirando-lhe a sobrecapa, e ofereci-lhe o miolo.

São histórias de livros, como tantas outras, mas estas referem-se a um muito especial. Tive com o marcante “Como o Tempo Passa...” um romance de juventude. A ele voltei, volto e voltarei.

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