segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Caciquismo laranja

Na grande entrevista publicada na edição de ontem do «Público», Pacheco Pereira começa por dizer que um dos principais problemas do PSD é ter uma direcção política que nada tem a ver com o programa, génese, história e identidade do partido”. 

De seguida, considera que “em partidos como o PSD, e em parte também no PS, a partidocracia tornou o partido muito difícil de mudar interiormente. Por isso, afirmaHoje, o PSD é controlado por grandes secções, em muitos casos artificiais, controladas por caciques locais, cuja vida, carreira e progressão depende da sua capacidade de controlo do poder interno. O refluxo dos últimos anos, o longo período em que o partido não esteve no poder, fez com que muita gente se voltasse para o poder autárquico. É verdade que o PSD é um partido com forte implantação autárquica, mas também é um partido em que o aparelho perdeu dimensão nacional. Esta perda de influência nacional mudou o carácter do PSD enquanto partido. Na génese, o PSD era diferente. Havia, sem dúvida, manifestações de partidocracia, cunhas para deputados, mecanismos de influência local. Mas havia um conjunto de pessoas notáveis a nível local, personalidades com influência. Eram médicos, pequenos industriais, comerciantes, empresários, advogados, operários em muitos casos, com influência nas suas freguesias, cuja vida não dependia do seu papel nas estruturas partidárias. Isso desapareceu. Hoje, há estruturas do partido, com pessoas com carreiras dentro do partido, cuja única preocupação é gerir as suas próprias carreiras. 

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