quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Abstenções

Os resultados das últimas eleições autárquicas mostraram que mais de metade dos eleitores portugueses preferiu abster-se. Entre estes, há os que não se revêem nos actuais partidos políticos, os que não se sentem representados por este sistema, os que protestam contra a situação presente, entre outros. Mas há uma fatia importante de pessoas, normalmente esquecida pelos analistas de serviço, que simplesmente não se importam com o resultado, nem sentem qualquer dever de participação.

Comecemos pelos que optam por uma abstenção a que chamam “activa”, ou seja, aqueles que consideram que o facto de cada vez mais cidadãos não irem votar acabará por desacreditar o sistema, retirando legitimidade aos eleitos, e que o fará sucumbir. Embora teoricamente correcta, esta postura dificilmente levará a uma alteração – pelo menos em tempo útil – já que, até pela atitude dos “vencedores” do mais recente escrutínio, os que conseguem chegar à cadeira do poder desvalorizarão sempre a abstenção para segurarem os seus lugares.

Por outro lado, aqueles que, por sua vez, perante o estado do País, preferem “deixar andar as coisas” têm talvez a atitude mais incompreensível de todos.

São estas abstenções que facilitam a subserviência nacional, mantendo na prática o sistema vigente, que garantem a hipoteca da nossa soberania e que nos enfraquecem enquanto povo.

Mas, atenção, a luta política não se reduz a uma cruz num boletim de voto, nem sequer aos partidos. É um combate que nos diz directamente respeito e ao qual não nos podemos negar, em variados aspectos da nossa vida, por mais insignificantes que pareçam.

Em Portugal o voto não é obrigatório, não há qualquer sanção – nem sequer social – para quem não vota. Outra coisa é abdicar de lutar pela Pátria, o que é sempre uma deserção.

O nosso futuro não pode ser deixado nas mãos dos que nos atiraram para o fundo de um buraco que parece não ter fim. O futuro não se constrói esperando.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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