segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A fogueira das vaidades

Continua a ser espantoso que pessoas que se dizem defensores da liberdade mudem de postura num ápice perante a referência a certos livros, que automaticamente consideram "perigosos". Há títulos e autores que estão num index mental imposto pelo politicamente correcto. Claro que a "saída de circulação" de tais obras é sempre vista como algo positivo, porque benéfica para as pessoas. E a apregoada liberdade? Para estes zelotas, é com a sua restrição que a defendem...

A destruição de livros sempre me incomodou, independentemente de quem a faz. Mais uma vez, ao contrário do que muitos se convencem, todos os regimes o fizeram. A este propósito recordo-me sempre de uma cena memorável de "Grau de Destruição", a magistral passagem ao cinema da obra de Ray Bradbury "Farenheit 451" por François Truffaut, em 1966. Um diálogo que diz tudo e nos obriga a reflectir.


O Capitão Beatty, interpretado por Cyrill Cusack, diz para Guy Montag, interpretado por Oskar Werner, durante uma apreensão: «Ah, Robinson Crusoe. Os negros não gostam por causa do seu homem, o Sexta-Feira. E Nietzsche. Os judeus não gostavam de Nietzsche. Aqui está um livro sobre cancro do pulmão. Todos os fumadores entram em pânico, por isso, para assegurarmos a paz de espírito de todos, nós queimamo-lo. Ah, este deve ser muito profundo. A Ética de Aristóteles. Qualquer um que leia isto deve pensar que está acima dos que não leram. Vê, Montag? Não é bom, temos todos de ser iguais. A única forma de atingir a felicidade é se todos forem tornados iguais. Por isso, temos de queimar os livros, Montag. Todos os livros!».

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