quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A cidade de Ulisses

O turismo na capital portuguesa aumentou exponencialmente, mas esta não é apenas mais uma paragem num qualquer roteiro. É notório que os estrangeiros que nos visitam descobrem algo inesperado, uma magia própria que cria uma atracção poderosa. Muitos apaixonam-se e prometem voltar.

Será esta vontade de regressar um pingo de Saudade emprestada? Escreveu António de Castro Caeiro que “Lisboa como Ítaca no Verão é ventosa. Cheia de espírito.” Mas não apenas no Estio, porque como ele tão bem disse, “há tantas Lisboas quantas as Estações do ano”. É essa corrente cíclica que traz os visitantes e os força a voltar? Que lhes provoca uma necessidade interior de eterno retorno?

Recentemente, tive oportunidade de confirmar esse sentimento no olhar de amigos espanhóis e italianos, que aqui se deslumbraram com uma cidade tão próxima, mas sobre a qual pouco sabiam ou conheciam. Isto porque ainda não a haviam sentido, em toda a sua força primordial.

Este é, afinal, um lugar que não lhes é distante fisicamente, mas do qual estão, estranhamente, tão longe.

Teria razão Fernando Pessoa, quando afirmava que “nada há de menos latino que um português”? Isto porque, para o nosso poeta, “somos muito mais helénicos — capazes, como os Gregos, só de obter a proporção fora da lei, na liberdade, na ânsia, livres da pressão do Estado e da Sociedade. Não é uma blague geográfica ficarem Lisboa e Atenas quase na mesma latitude”.

O encanto da cidade de Ulisses é imemorial e eterno. É um canto dos deuses, brutal e terno.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

2 comentários:

  1. É bonito... mas as resmas e paletes de turistas que cá vêm agora vêm principalmente por duas razões: por ser barato e por poderem mijar, cagar e vomitar na rua sem que ninguém os chateie.

    Podes fazer um estágio gratuito de uma semana aqui no meu turno se precisares de maior confirmação.

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  2. Há de tudo. Lembro-me das vezes que fui a Amsterdão, em que a primeira impressão foi ver a malta mais nova a encher 'coffee shops' ignorando a cidade. No entanto, tem muito a descobrir, não se resumindo ao vício.
    Já quanto a Lisboa, um dos exemplos de que falo tiveste a oportunidade de conhecer...
    Obrigado pelo estágio, mas os "almoços-volantes" não me convencem.

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