quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Vitórias anunciadas

No pico do Verão, são as eleições autárquicas que começam a aquecer o ambiente político nacional. Perante as medidas impopulares do actual Governo, nomeadamente os cortes impostos pela ‘troika’ e a vontade de continuar a ser o “bom aluno”, o amnésico Partido Socialista cedo se convenceu que os portugueses iriam “castigar” o Executivo de Passos Coelho na primeira hipótese eleitoral que tivessem.

Apesar de esse fenómeno se verificar habitualmente, é errado misturar convenientemente actos eleitorais que têm objectivos muito diferentes. No caso de eleições para os órgãos locais, a cor partidária – em especial no que respeita ao cinzento centrão – devia ser o menos importante. Mas, infelizmente, em partidocracia, é o que mais interessa.

Este ano surgem sinais de mudança. Tomando as sondagens como indicador, parece que o “castigo” não vai condicionar o escrutínio em cidades de considerável dimensão e importância. Mas, como sempre, tudo está em aberto.

As notícias de uma recuperação económica, ainda que ténue, e a constante ineficácia da oposição contribuem também para aliviar a pressão para se votar contra o Governo, voltando a atenção dos eleitores para os interesses locais.
Outro aspecto assinalável é a subida das candidaturas de movimentos independentes. Em teoria, este é um bom sinal, já que, em princípio, demonstra que as populações se mobilizam em prol das suas terras, para além dos partidos. No entanto, há também um lado negativo, como o dos sucessores de conhecidos “caciques” locais, muitos deles enleados em processos judiciais, ou as candidaturas resultantes de diferendos no seio dos grandes partidos.

Ainda assim, estas alterações podem ser benéficas para o poder local e anunciar uma verdadeira mudança no sistema político, ainda que longínqua.

Em política não há vitórias anunciadas. Pelo contrário, é normalmente quem as anuncia – tão seguro de si próprio – que acaba em maus lençóis.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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